<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290</id><updated>2011-05-03T00:03:35.371-07:00</updated><title type='text'>Tempo Infinito</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>20</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-4538655937219647964</id><published>2011-04-17T08:11:00.000-07:00</published><updated>2011-04-17T08:11:39.419-07:00</updated><title type='text'>UM MORTO NA RUA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-avIEOIhjIEU/TasCS143kQI/AAAAAAAADD0/-l2lao3qzRs/s1600/Morto.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="219" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-avIEOIhjIEU/TasCS143kQI/AAAAAAAADD0/-l2lao3qzRs/s320/Morto.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Tão jovem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Também morre...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É conhecido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até o momento um morto anônimo. Pela boa aparência deve ter documentos. Mas só a Perícia pode mexer no corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A observação do senhor ao seu lado chama a atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assalto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Natural mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor acha natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, minha senhora, eu não acho nada. É o que dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora é esperar o rabecão, a autópsia, a geladeira do IML, até que a família o enterre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que frieza... Como a família vai receber isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Geralmente já dentro do caixão, coberto de flores e entregue na capela para o velório, onde vai rolar um bate-papo, intercalado por algumas piadas para aliviar a tensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei... Sei... E a família depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se tiver, vai pagar o papa-defunto, receber condolências, mandar rezar missa de sétimo dia, de mês e de ano, quando, nesta última, nem mesmo o defunto será lembrado pelos amigos. É possível que nem mesmo a alma dele esteja presente, diante de tantas formalidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será que vão cremar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode ser... A ele pouca diferença fará, pois com esse calorão que está fazendo e este terno que está vestindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mesmo. Por que de terno no calçadão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Devia estar esperando o frescão para ir trabalhar quando caiu duro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O frescão ou a queda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A queda, ora... Nem gritou ou gemeu? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sinceramente, não ouvi. Havia uma gritaria próxima, mas não era do defunto. Era de um assalto a um banhista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já tem quanto tempo que ele está aí deitado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deitado não, minha senhora. Mortinho da silva...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que seja...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa ver... Uns quarenta minutos, acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o senhor está aí em pé esse tempo todo? O senhor o conhece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca vi mais gordo. Aliás, deve ter sido a gordura que o matou. E quanto a estar em pé esse tempo todo é melhor do que estar deitado como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vendedor de pastéis se aproxima, curioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Morreu por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois de ter comido um pastel de camarão desses que vendem na praia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor tá me gozando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, divagando sob a causa mortis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor é médico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, advogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Da família dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, da minha mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O morto começa a se tornar um acontecimento. Mais e mais pessoas se aproximam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que está havendo aqui? Choque de ordem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, apenas um morto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vendedor se afasta temendo que aquele morto resulte numa proibição da Prefeitura de vender seus pastéis de camarão na praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sorte não ter sido no meio da rua. Seria esfrangalhado por essas vans em alta velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comentário tem a aprovação de dois usuários de vans.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não faria a menor diferença para ele já morto. Mas o atropelador estaria ferrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já agora o morto ficara num segundo plano, dando vez ao trânsito caótico, má iluminação das ruas, buracos e má gestão municipal, com respingos da estadual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A sorte foi ter morrido. Senão ia ter que encarar maca em fila de hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como sorte? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, morrer todos morrem um dia. Ala jacta est.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor é professor de latim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, sou geólogo. E no momento faço escavações arqueológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No Leblon?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, no interior da Bahia, onde tem um sítio arqueológico com alguns ancestrais nossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Herança de família? Produz o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O arqueólogo mostra-se irritado não só pelas perguntas da madame recoberta de protetor solar, mas também pelos empurrões dos curiosos. Antes de afastar-se fuzila:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pior que morrer é a ignorância. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM MORTO NO NECROTÉRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O trezentos e vinte e dois está na geladeira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá. Acabou de ser entregue pela autópsia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem um cara aqui para identificar o defunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É parente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como saber se ele ainda não identificou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Manda entrar e tira a panela do freezer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, ok... João, solta o trezentos e vinte e dois e põe no balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É ele, sim. O Altamirando, que Deus tenha piedade de sua alma. O que faço agora? O que dizer a minha irmã Cleuza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu senhor, nessa hora o melhor a dizer e que morreu e está sentado ao lado do Pai Nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas minha irmã é agnóstica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ag o quê? Vai ali ao guichê, procura o Fragoso, que ele lhe orienta como preencher a papelada para liberar o corpo. E não se esqueça de colocar esse “ag” aí no espaço referente a filiação. Esse pessoal da Santa Casa adora criar dificuldades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor Fragoso é funcionário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Papa-defunto. Gente fina. Os serviços são bons e é dos mais baratos. Caixão dele é de madeira de Lei e não desses de pinho, vagabundos. E as flores não são recicladas como a de muitos que têm gente no cemitério recolhendo coroas e flores que ficam no mausoléu depois do sepultamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde, senhor Fragoso, sou tio do Altamirando, o trezentos e vinte e dois, e queria que o senhor me ajudasse no preenchimento da papelada e fizesse o orçamento dos custos para enterrá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos lá ao guichê e depois conversamos. Seu nome, por favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Carlos Siqueira, mas sou mais conhecido como Carlão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papa-defunto olha o volume do tio e já pensa no gasto de madeira de Lei para o caixão de Altamirando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papelada preenchida e o convite para um café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor quer enterro de primeira? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não precisa ser de primeira. Altamirando era despido dessas vaidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como? Ele já tinha idealizado como seria o enterro dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Apenas acredito que ele não investiria muito no seu próprio funeral. Digamos... Um enterro tipo classe média iria satisfazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Média A, B ou C? A média hoje anda subdividida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode ser A mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quantas coroas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, são muitas. Têm as tias, as amigas das tias... Altamirando era muito querido por todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é isso. Estou falando de flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma só para todos os tios e primos. Os tempos andam difíceis e Altamirando era arrimo de família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem preferência por alguma flor para cobrir o corpo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa ver... Hummm... Altamirando gostava muito de cravos. De vez em quando espetava um na lapela. Pode ser cravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Temos caixões de peroba. São mais baratos que os de cedro e fazem o mesmo efeito. Quer alças de bronze? Que sejam entalhados? Garanto a qualidade do verniz. É boneca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boneca não. Altamirando era espada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me referi ao verniz, senhor. Não pré julgo meus defuntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fica tudo ao seu critério. O que eu quero mesmo é sua orientação e quanto vai me custar tudo, inclusive com gorjetas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vejamos... Prá ficar freguês, faço tudo por oito mil reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu Fragoso, não faço a menor questão de ficar freguês. Por sua atenção e gentileza, tá fechado. Tá aqui o sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, senhor Carlão, não trabalho nem com sinal, nem com cartão de crédito. Estou vendo que o senhor é saudável, mas não somos donos de nossos destinos. E já houve alguns casos com colegas em que o responsável passou desta para melhor, antes de quitar o débito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entendo... Entendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM MORTO NO VELÓRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem diria? O nosso Altamirando morto na praia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na praia, não. No calçadão, pois o vôlei ele trocou pelo chope já faz algum tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã daquele janeiro de um ano que se prenunciava excelente, Altamirando abrira o jornal na página do horóscopo: “Leonino com ascendente em Saturno. Momento ideal para organizar sua vida. Excelente no terreno sentimental. Saúde boa. Cor favorável o azul”. E ali estava ele. Morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns amigos começavam a chegar e sempre com o lugar comum:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tão moço, coitado... Morreu de quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parada cardíaca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, parada cardíaca é do que todos morrem. Não conheço um caso que o cara tenha morrido e o coração continuasse batendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Cleuza na cabeceira não parava de espantar a mosca que insistia em aterrissar no nariz de Altamirando, enquanto sua irmã Celeste repunha o filó a cada destampada feita por alguém curioso. Na porta, Carminha, a mais nova das tias recebia os pêsames. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Grande perda... Grande perda... Fará muita falta o nosso Altamirando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase dita pelo primo Benedito tinha a aprovação dos demais membros da família já agora sem o arrimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fosse uma ou outra abordagem sobre os excessos que cometia na comida e na bebida, é a coisa ficava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesaroso, lá estava seu grande amigo Isaac, que perseguia o milhar que o pai trazia no braço, jogando diariamente no bicho, sem que nunca fosse premiado. Sua presença no velório, além de prantear o amigo morto, tinha também por objetivo anotar o número do jazigo para mais uma investida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Magali veio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ex-quase-futura-noiva era aguardada. Ela o deixara quando se viu substituída pelas amizades que o arrastavam para o boteco e para obesidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adepta de academia, a super malhada Magali era uma referência de elegância e beleza naquele mundo, com seus óculos piratas de grife, adereços e saltos bem altos que davam ao seu caminhar grande sensualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muita areia para o caminhão do Altamirando, dizia o invejoso Antero ao vê-la adentrar a capela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já havia um número razoável de parentes e amigos se abanando naquele calor infernal quando chegou Nepomuceno, o Nepô das rodas boêmias do Leblon. Chegou trôpego, como de costume, e saudou todos com um “merry christmas”, pois velas e flores lhe traziam as imagens de alguns lúcidos natais de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tirem o Nepô daqui! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O alarme soou com atraso de alguns segundos, pois uma golfada de vômito causara um tsunami no caixão de Altamirando, para satisfação do papa-defunto Fragoso e desespero do tio Carlão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novas flores, maquilagem, o papa-defunto borrifando um Bom Ar flagrância violeta e... Altamirando pronto para ser enterrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Findas as rezas, preparativos para o fechamento do caixão e volta Nepô à capela, trovejando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém vai asfixiar meu amigo. O primeiro que tentar, leva com a porra desta tampa no focinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxa daqui, empurra dali e o tio Carlão de olhos arregalados não vendo a hora de novos custos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das ameaças, Aristides fantasiava ainda mais a cena aos gritos de que haviam matado o amigo ao vê-lo com o crucifixo na perna e uma vela espetada na boca entreaberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sino batia anunciando a saída do corpo e os amigos se afastando das alças do caixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em vida, um mala difícil de carregar. Morto, nem pensar, com esses seus cento e muitos quilos. Que Deus o tenha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falta de carregadores familiares, foram chamados funcionários da Santa Casa para ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que parecia o chefe da equipe convocou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos lá, pessoal. Estão precisando de guindastes humanos para deslocar o defunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo era assustadoramente esquelético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com esse pessoal vai dar zebra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menção de um bicho antenou Isaac já de posse do número do jazigo cuja dezena era a do cavalo. A coincidência abriu-lhe um sorriso de esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A previsão do acidente se confirmou no estrondo provocado pela queda do caixão, deixando tio Carlão lívido e já contabilizando o que seria o mais caro funeral de sua vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa que dou um jeito. Não lhe disse que o caixão é dos bons. Nenhuma avaria que impeça de recolocá-lo no carrinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papa-defunto já agora satisfeito com os números era todo delicadeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor – suplicou o tio Carlão – vamos agilizar tudo rapidinho e encová-lo antes que depredem a Capela e eu seja processado pela Santa Casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlão deixa o cemitério e lá no alto do gradil a frase “Revertere ad locum tuum”. Sinalizou para o taxi antes que o revertessem para aquele lugar diante do estafante dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-4538655937219647964?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/4538655937219647964/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=4538655937219647964' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/4538655937219647964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/4538655937219647964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2011/04/um-morto-na-rua_17.html' title='UM MORTO NA RUA'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-avIEOIhjIEU/TasCS143kQI/AAAAAAAADD0/-l2lao3qzRs/s72-c/Morto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-5302663599749162681</id><published>2011-04-12T03:42:00.000-07:00</published><updated>2011-04-12T03:42:49.839-07:00</updated><title type='text'>A HERDEIRA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-H9HGfXcDRZU/TaQrg6OrSPI/AAAAAAAADCU/FbdKBwBEc9c/s1600/imagesCAGGHN9A.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-H9HGfXcDRZU/TaQrg6OrSPI/AAAAAAAADCU/FbdKBwBEc9c/s1600/imagesCAGGHN9A.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- É o cúmulo!&lt;br /&gt;Os policiais do serviço de imigração entreolharam-se quem seria aquela mulher que resistia a ficar nua para ser revistada no Aeroporto John Kennedy. A cidade de Nova Iorque não podia se expor a alguém que chegara com 22 malas suspeitíssimas.&lt;br /&gt;- Eu, Carla Fantagrossi, do international jet, às voltas com esses dois brutamontes a quererem tirar minha calcinha em atitudes voluptuosas que melhor se enquadraria num mènage. Evocarei a 5ª Emenda nos tribunais e, se necessário for, irei a Suprema Corte cumprindo o trotoir judicial...&lt;br /&gt;Os policiais olharam-se espantados. Mènage? Trotoir? O que seriam essas duas palavras carregadas de um sotaque francês ditas pela criatura. Só podia ser algum código de traficante, daqueles usados na Casa Branca para adentrar no Salão Oval a serviço do ex-George II.&lt;br /&gt;Carla Fantagrossi chegara não só com 22 malas, mas com algumas coordenadas dadas por seu advogado Spencer Tracy, um sabido vigarista que, nas horas vagas, atuava como hackers nas redes sociais. Fora ele que descobrira ser Carla herdeira dos milhões de dólares deixados em testamento por seu tio Robert, executado na Califórnia pelo exterminador do futuro Arnold Schwarzenegger. Robert matara a mulher tomado por uma violenta paixão pela milhardária Irene Singer, da família dos inventores da máquina de costura que chuleava, chuleava, mas não chegava aos finalmente por ser ele casado.&lt;br /&gt;Duas versões dadas aos milhões de Robert circulavam nas altas rodas frequentadas por nomes expressivos como os dos brasileiros Bike e Nike Batista e Donald Tramp, este notabilizado na canção “The Lady is a Tramp” por Frank Sinatra. Bike descobrira as altas rodas por força de seu próprio nome e Nike chegara ao oitavo lugar no ranking por suas caminhadas pelas montanhas de Minas Gerais, onde descobriu o ferro e ferrou a Vale do Rio Amargo.&lt;br /&gt;Do lado de fora do Serviço de Imigração, Irene Singer dava adeusinhos para a amiga Carla. Como não é incomum, grandes amigas até descobrirem-se candidatas aos milhões de Robert. Fora do testamento, Irene ficara dentro dos milhões de dólares graças ao seu casamento em Las Vegas, dias depois do serial killer ter matado a mulher com um hamburguer estragado do Mac Donald, da cadeia dirigida pelo Pato.&lt;br /&gt;Carla Fantagrossi era “uma uva”, tratamento dado as mulheres em tempos de antanho e hoje substituido por “um tesão”. Nesse ítem, apesar de não costurar para fora, Irene Singer nada ficava a dever, o que , aliás, seria paradoxal pela fortuna que possuia. &lt;br /&gt;Ao lado de Irene, fazendo-a rir, o baiano Caetano, da famosa dupla sertaneja Gil&amp;amp;Caetano, que ela conhecera num trio elétrico em El Salvador, onde os trios elétricos não tocam o chatérrimo axé de Ivete Sem Galo e Daniela Studebaker. Caetano estava em Nova Iorque para apresentar-se no Madison Square Garden para uma platéia de brasileiros tantos eram por lá a comprar muambas na rua 42. Procedentes de Miami e Paraguai já estavam manjados pela Alfândega brasileira.&lt;br /&gt;Apesar dos protestos, A HERDEIRA, foi embarcada de volta à realidade de Petrópolis, uma localidade abaixo da linha do Equador, soterrada e transformada num lindo planalto depois que suas montanhas despencaram mais que os peitos das atrizes da Globo que não se socorrem com o cirurgião Antonio Pitangueira para serem siliconadas.&lt;br /&gt;O retorno de Carla Fantagrossi acabou por trazer a luz as falcatruas do advgado hackers Spencer Tracy. Quanto a Irene Singer voltou às altas rodas montada numa bike do Bike. Mas aí já é outra história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-5302663599749162681?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/5302663599749162681/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=5302663599749162681' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/5302663599749162681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/5302663599749162681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2011/04/herdeira.html' title='A HERDEIRA'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-H9HGfXcDRZU/TaQrg6OrSPI/AAAAAAAADCU/FbdKBwBEc9c/s72-c/imagesCAGGHN9A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-2034589824406303638</id><published>2008-11-08T05:19:00.000-08:00</published><updated>2009-01-01T03:51:51.628-08:00</updated><title type='text'>UM RIO DE MUITAS SAUDADES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cglgCHO5W70/SRWSevEMkhI/AAAAAAAAAKI/dczx2iiCRJI/s1600-h/a7.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266276396007461394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 252px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cglgCHO5W70/SRWSevEMkhI/AAAAAAAAAKI/dczx2iiCRJI/s320/a7.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dizer que sou saudosista me envaidece. Afinal, sou do pão do tostão, moeda da qual muitos dos que me lêem sequer ouviram falar. Adquiridos numa das muitas fornadas na Padaria Colombo, cujo proprietário português misturou a História e resolveu homenagear o descobridor do Brasil. Mas se misturou a História, justiça seja feita, na farinha não havia bromato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um Rio sem pressa, com bondes da Light cujos trilhos vivem sepultos pelo asfalto por onde hoje vidas se perdem na velocidade por vivê-las. Mas como as diferenças sociais sempre existiram, não seria este meu Rio de viva memória que deixaria de ter o ''taioba'', um bonde misto de preço bem mais barato, transportando, além dos passageiros, os balaios de verduras, frutas e flores que iam sendo distribuídas durante o percurso. Para os mais afortunados, a Light oferecia seus ônibus cinza competindo com as primeiras viações que surgiam para começar a dar pressa à vida dos cariocas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Violento, afirmo, não era. De pior, tínhamos o Zé da Ilha, inimigo público número 1, cujo crime maior fora ter aberto uma navalha e passado nas pernas dos passageiros que viajavam no estribo do bonde ''Vila Isabel''. O feito teve como palco o Boulevard, hoje Avenida 28 de Setembro, cuja data, confesso, não me traz nenhuma lembrança. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Imagino que nem tenham sido muitos os estragos feitos por Zé da Ilha, afora uma e outra calça dos ternos de casimira inglesa, tropical brilhante ou linho S-120 que, passadas nas mãos de uma boa cerzideira invisível, não tenham sido recuperadas. Zé da Ilha morreu numa troca de tiros com a polícia, à época de boa pontaria, pois não houve registro de bala perdida e achada no corpo de alguém. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saudades de um Rio de casarões cercados de pomares, com mangas rosa, espada e carlotinha, entre goiabeiras, caramboleiras, abacateiros, nespereiras, abieiros e sapotizeiros, por onde esvoaçavam pardais e rolinhas de dia ou morcegos à noite. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um Rio perfumado pelos jardins onde floriam jasmins e roseiras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um Rio com o mar de Copacabana, aonde chegávamos para os banhos medicinais que complementavam tratamentos homeopáticos, depois de saciados pelo suco de laranja  da "Americana", do Hotel Avenida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De ruim, a bem da verdade, os maiôs de malha de lã a formarem papadas nas entre pernas das banhistas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um Rio de um Salgueiro, de onde saiu Bala, compositor e engraxate, a batucar com o pano que lustrava nossos sapatos os sambas que cantarolava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De uma Mangueira, cujo marco era o Esqueleto, onde hoje é o campus da UERJ, no Maracanã. Mangueira que deu Cartola, Neuma e Zica. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era um Rio horizontal, inundado de sol e chuva. Havia lama barrenta, mas bem diferente do mar que hoje nos assusta inundando os altos escalões dos governos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-2034589824406303638?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/2034589824406303638/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=2034589824406303638' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/2034589824406303638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/2034589824406303638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2008/11/um-rio-de-muitas-saudades.html' title='UM RIO DE MUITAS SAUDADES'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_cglgCHO5W70/SRWSevEMkhI/AAAAAAAAAKI/dczx2iiCRJI/s72-c/a7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-5646165087972414315</id><published>2008-11-08T05:02:00.000-08:00</published><updated>2008-11-08T05:08:35.693-08:00</updated><title type='text'>ROSÁRIO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cglgCHO5W70/SRWPPs74t4I/AAAAAAAAAKA/FDmi4A1DQzc/s1600-h/26_MVG_igreja2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266272839202813826" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cglgCHO5W70/SRWPPs74t4I/AAAAAAAAAKA/FDmi4A1DQzc/s320/26_MVG_igreja2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;I&lt;br /&gt;DOLOROSOS&lt;br /&gt;O bar está ali há tanto tempo que nem importa saber sua idade. Surgiu com a cidade. Discretamente, de um ângulo privilegiado da praça, frente à porta lateral da igreja, a tudo observa. As paredes, grossas de sucessivas pinturas, contam a cada camada histórias de diferentes épocas e proprietários. Duas portas de madeira carcomida, fechadas respeitosamente diante de incontáveis enterros e procissões, deixam entrever o interior escuro e abafadiço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que os olhos do visitante se acostumam à penumbra, revela-se um enorme balcão, igualmente sem idade, estendido junto ao fundo e a uma das paredes laterais. Ao longo da outra parede, cinco ou seis mesas bambas com suas cadeiras de assentos lustrados pelos freqüentadores que se reúnem nos finais de tarde em comentários sobre as nunca mais de duas ou três raparigas do bordel de madame Dominique, uma polaca que por ali chegara fugida das botas nazistas lá pelos anos 30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parca iluminação não esconde o pó e o bolor das prateleiras, repletas de um amontoado de garrafas e copos engordurados. Atrás da máquina registradora, uma pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida e o pôster do Palmeiras Campeão Paulista de 1976 disputam, lado a lado, as homenagens das flores de plástico dentro do copo. Os segundos de pouco silêncio eram quebrados pelo irritante tic-tac do carrilhão que devorava as horas dos bêbados obrigados ao retorno do tédio domiciliar, com as mesmas reclamações seculares de que “aquilo não era vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro das frituras engorduradas nada dizia de que fossem bons os tira-gostos que ainda assim eram consumidos por um ou outro desavisado operário que por lá passasse a caminho das obras que teimavam em tentar fazer crescer a pequena São Benedito do Bom Refúgio, nascida do parto das fugas dos escravos, seus primeiros moradores que por lá se escondiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado numa daquelas mesas, protegido pelo lusco-fusco, um observador atento poderia fazer a crônica diária da cidade: qual beata está adoentada e não compareceu à missa das sete; que cidadão embarcado no ônibus das sete tem negócios a tratar na capital; quanto tempo durou a confissão da mulher do prefeito; qual será a próxima geração de boêmios que flana pela praça, matando as aulas; todos os casamentos, batizados e enterros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, quando as pequenas corujas deixam a torre do sino, quais os incautos casais que trocam trêmulos beijos nos desvãos das paredes da igreja zelosamente cuidada pelo Padre Cartazone, um italiano cinquentão que, diziam as más línguas, pastoreava duas ovelhas Filhas de Maria, na sacristia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ali, instalado na última mesa, que Dozinho resiste. Só ali a tranqüilidade para olhar e, ultimamente, para escrever, antes que a procissão dos bêbados e miseráveis se interrompa na ocupação das mesas e nas solicitações gritadas e atendidas imediatamente por Oriovaldo, o garçom, sob o olhar fiscalizador do seu Almeida, da segunda geração de proprietários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os humores de Aracy começam a atrapalhar os pensamentos de Dozinho. Os deles, mesmo, e os dela, própria. Aracy delira. “Quanto será que custa um sino de bronze da Itália, Dozinho?” Ora, veja... “Quanto você acha que vale o terreno do bar, Dozinho?” Tem cabimento? Deve ser a idade. Deve ser porque não tivera filhos. Útero seco, o dela. O dele, não. O dele é um útero quente e fértil: a mesa do bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dozinho se integra ao ambiente pela cor mortiça, palidez pela constância dos dias que no bar se perde, bambo como as cadeiras nas seguidas idas ao mictório por ingestão das garrafas de cerveja que lhe faz, ainda, embotado na conclusão do romance com o qual a todos diz ganhará a notoriedade literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dozinho só desprega o olhar das páginas que trazem a inutilidade dos seus pensamentos para o copo ou para um evento ou outro, muito raros por sinal, que traga maior movimentação à praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantos projetos perdidos no achado de Aracy; num casamento que o levara parte da vida ao caminhar entre as duas monotonias, da casa e do bar. Casa e bar? Mas se foram tantas às vezes que se confundiram sobre a melhor ou pior acolhida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Histórias perdidas em soluços de embriaguez. Confusas histórias intermináveis, assim como sua própria vida que lhe parecia não vir a ter desfecho. E a obsessiva curiosidade de Aracy aos valores que nada lhe diziam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temia vir a se tornar uma figura folclórica da cidade, como a Maria Benzedeira ou o João do Sebo, este por confundido pelos mal informados como dono do açougue e, na verdade, dono da papelaria, onde, a um canto, amontoavam-se volumes desprezados, com suas páginas consumidas mais pelos cupins do que pelos olhos de seus antigos donos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia, como dona Adelaide Maria, misto de mulher letrada e do lar, um ou outro que não aceitavam vulgos que não se enquadrassem aos hábitos e costumes daquela pequena cidade interiorana e para os quais João era João, sem o Sebo. Mas isso é outra história que não desmerece o folclore que abundava a região, enriquecido pelos ditos, benditos e malditos do que aqui vai narrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não eram mais perguntas, mas verdadeiro martírio a curiosidade de Aracy. Aquilo o desconcentrava e na linha que estivesse por ali parava. E não voltava ao texto, posto numa acumulação de calhamaços, fruto da perda da tranqüilidade que imaginara encontrar na mesa do bar, seu quente útero, já agora nem sempre fértil, ainda que úmido pelas garrafas esvaziadas à sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali se distanciava ao final de cada tarde, respondendo aos cumprimentos com um toque no chapéu desabado como sua própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crença de Dozinho na fama que conquistaria pelas letras levava-o a imaginar-se numa estátua ou mesmo que fosse num busto de bronze como o de Graciliano Ramos, próximo ao palanque de onde vinham os sons nas domingueiras da praça, trazendo junto os perfumes das senhoras e senhoritas no ir e vir pela calçada em frente ao bar a misturar-se aos dos jasmineiros, aqui e ali despontados pelo carinho de Josenildo, o orgulhoso jardineiro que cuidava para que o Pau Brasil fosse sempre lembrado pelas mais afoitas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Mas para tanto, dizia Dozinho, duas coisas teriam que ser terminadas, ambas de desfechos imprevisíveis: o romance e sua própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Próximo de poder ser titulado autor e lá vinha o massacre de Aracy: "Dozinho, quanto terá custado o funeral de seu Sidônio?" E mais uma vez interrompia a página do romance, ainda que chegando às letras como o personagem que alimentou essa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;GLORIOSOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Dozinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grito ecoa no quarto como um trovão. Abre um olho e lá está Aracy a sacudir a folha de papel. Abre um olho, já que os dois seria impossível pela carraspana da véspera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Levanta homem de Deus... Finalmente chegou a resposta da editora, junto com o contrato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, isso lá é jeito de acordar alguém? Contrato, que contrato? Mas Aracy estava ali sacudindo a folha de papel qual bandeira agitada num estranho festival... Quem dissera isso? Ah, sim, Orestes Barbosa, em “Chão de Estrelas”, tantas vezes tocada na máquina de moedas no fundo do bar, o palco sem lume dos andrajosos freqüentadores quase todos sustentados por suas mulheres fiandeiras da cooperativa de artesanato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, na rua, a notícia já chegara e um grupo aguardava na porta sua aparição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Vá lá Dozinho, dê apenas um aceno para eles. Não imagina o que isso vai representar para a nossa cidade. Quem sabe seu romance vira roteiro em Hollywood? Não viu o Paulo Coelho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como? De pijama?... Cabelos em pé, nem mesmo os dentes escovados e aquele gosto de guarda-chuva na boca... Ah, coisa mais idiota, como se alguém já o tivesse chupado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menção do Paulo Coelho encheu-o de brios. Comparar o seu romance aos do autor de O Alquimista era não reconhecer seus méritos literários. Que se danasse Hollywood... Qual obra de Machado de Assis merecera as atenções dos produtores e diretores hollywoodianos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogou por cima do pijama o paletó de tantos invernos e quase empurrado por Aracy chegou à janela. Lá estava Alaíde Camargo, mulher faladeira, Antônio Dentinho, Maruê Lagartixa, tido como dos melhores no pau de sebo das quermesses, sem falar na fina flor da boemia local, espantosamente sóbria puxada pelos vivas de Chico Bolha. Era de se esperar que a glória chegasse, tantos foram os repasses dados a obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Dois milhões, Dozinho, ouviu bem, dois miiiiiiiiiiiiilhões!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os milhões na boca de Aracy se tornavam maiores ainda. Havia, finalmente, embarcado nos delírios dela! Sabia que chegaria o momento em que, sendo o inimigo mais forte, se renderia a ele – Corrumpunt bonos mores colloquia mala, latinou, capitulando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como lhe pareciam reais aquelas fisionomias conhecidas, ao pé de sua janela. Não seria também real o jacaré que morava embaixo da cama de Chico Bolha e que o recebia todas as madrugadas, na volta da esbórnia? Tudo é possível, tudo é plausível, tudo é real, até aquelas pétalas que o pequeno grupo lhe atirava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recuou três passos e imediatamente se arrependeu. Melhor estava encarando a platéia que as chispas verdes dos olhos pequeninos de Aracy. Claro, ela sempre soubera, o talento dele era insofismável (caprichava nas palavras, a bruaca); fizera bem em contrariar o pai e casar-se com ele (arrependia-se de não ter ouvido o sogro – é minha filha, mas é uma megera); finalmente a honra e a glória que ele merecia (até babava-se de tanto gosto, a vaca).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alisou a gola do paletó e extraiu do fundo de sua inapetência as palavras jamais escandidas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Aracy, eu vou ao bar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esfregava-lhe na cara uma redondilha maior, vingança suprema de tantos anos em que ela, alexandrinamente, lhe atirara, certeira, seu nome de solteira – Aracy Aparecida Gomes da Cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Claro, vamos, sim, meu... Meu... Meu imortal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou à janela, magnânimo, acenou, deu as costas e desceu as escadas, casaco puído e calças de pijama (ora, já não havia saído nu da cintura pra baixo do quarto de Isolda Bela Puta em tempos de vou-tirar-você-deste-lugar?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recuperava um pedaço de si mesmo a cada passo vencido entre a casa e o bar. Atrás dele, a “turba ímpia e nojosa” e, no meio dela Aracy, com agilidade de menina, organizava uma ação entre amigos para a compra do fardão da Academia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como fardão, se nem candidato se lançara?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Dozinho, quanto deve custar o fardão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo a futura imortalidade o poupava da curiosidade de Aracy com relação a custos, fossem do que fossem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos de Sarney na Presidência da República, ela ganhara fama a perguntar sobre preços, imbuída da condição de “fiscal”... Ah, sim, Sarney, agora seu futuro companheiro dos chás de quinta-feira... E aumentaram-lhe os suores na lembrança dos chás. Refrescou-se com duas cervejas, em sucessivos brindes do Chico Bolha. Agora já não eram os chás quintafeirinos que o aqueciam, era a idéia do fardão de casimira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Levanta homem e larga de vagabundagem... O sol está quente lá fora e você enrolado nesse cobertor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois olhos abertos, chegou-se à janela. A praça vazia pelo sol causticante abrigava o sono de Chico Bolha em um dos bancos do jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Aracy, eu vou ao bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;GOZOSOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É noite, novamente. Dozinho espia por entre a escuridão do bar o movimento da praça – Sexta-Feira da Paixão, logo a Procissão do Senhor Morto iria serpentear pelas ruas da cidade, as velas enroladas em celofane colorido teimando em espalhar espermacete nas delicadas mãos das Filhas de Maria; a matraca alternando o silêncio. O dia todo ali, refugiado, sem pronunciar palavra. Não ousava dizer mais nada depois da frase proferida pela manhã. Percebia agora a inutilidade de todas elas, todas as palavras careciam de sentido, tudo já estava escrito, tudo havia sido dito. Sem sequer abrir a boca tinha-lhe sido servida a bebida de sempre, garantira a mesma conversa recortada – o levantar de uma sobrancelha era o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia todo ali, pregado àquela mesa. Não comia, não falava, não escrevia, não mijava – e isto era verdadeiramente espantoso, levando-se em conta as garrafas de cerveja que se acumulavam no canto da parede. Havia, finalmente, voltado à sua condição intra-uterina, boiava em meio ao burburinho, cenas fortuitas eram percebidas de relance, como o olhar pasmado de Chico Bolha ao testemunhar o apelo inédito e impensável de Aracy, pousando a mão em seu ombro – “Vamos para casa, Dozinho”. Deu de ombros para o companheiro, fixou-se no bater dos saltinhos baixos da mulher esquadrinhando com passos curtos não mais a volta para casa, mas para um caminho nunca dantes percorrido para perfilar-se a Procissão do Senhor Morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia todo ali e, subitamente, uma voz o arrancava de seu torpor. O trabalho de parto, iniciado pela manhã e entrado pela noite, agudizava-se. No púlpito improvisado em frente à Matriz, Verônica canta, rosto encoberto. Uma odalisca, essa Verônica – ensaiava uns passos da dança do ventre entre um “o Vós omnes” e outro, o véu escorrendo face abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quebrantado pela lengalenga, levanta-se e segue o chamamento. "Eloì, Eloì, lema sabactàni?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entra na igreja, altar desnudo, santos cobertos apaixonadamente de roxo, o cheiro do jejum, do fracasso, da tristeza e do silêncio. Abstinência da palavra, porto da palavra, liturgia da palavra, das sete palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bruxuleava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da porta principal vê entrar o corpo do Senhor Morto, ladeado de todas as mulheres que fazem fila para lhe beijar os pés. Atrás da coluna espera que chegue a vez de Alaíde Camargo e precipita-se após o ósculo. Embriagado pelas velas e pelo silêncio, longamente “beija o beijo, não os pés”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estivesse o Senhor Morto, nem mesmo ele escaparia do sobressalto diante dos repentinos arroubos de Dozinho, atracado, a pespegar beijos obscenos na faladeira Alaíde Camargo, que passou de flecha a alvo sob os olhares de mais de centena de fiéis e outro tanto de infiéis, todos agora testemunhas de uma paixão por tantos anos mantida em segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos não. Menos Aracy, fulminada por colapso, morta na fila do Senhor Morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dozinho, transfigurado, é tirado dos pés de Cristo sob o ronco de trovões que desciam dos céus, pragas e “te esconjuros” das beatas que a essa altura se acotovelavam na nave para testemunhar tamanha heresia. Instalara-se a balbúrdia na noite sacra, coisa nunca vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Está tomado por satanás...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase passava de boca a boca, seguida de “cruz credos” e “benza Deus”, algumas já em aconselhamentos de que fosse coberta a cabeça de Cristo. E motivo havia pra isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos empurrões é retirado da Matriz. Lá fora esbarra nos vivas de Maruê Lagartixa e Chico Bolha já fora do banco da praça que lhe acolhia o sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechava-se assim o romance da vida de Dozinho, em gozos de embriaguez, naquela sexta-feira de dupla paixão – e morte – ampliada ainda mais por dona Afrodite Augusta Nogueira, mulher de Chico Bolha, que disse ter visto o Senhor Morto a piscar para Dozinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-5646165087972414315?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/5646165087972414315/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=5646165087972414315' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/5646165087972414315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/5646165087972414315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2008/11/rosrio.html' title='ROSÁRIO'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_cglgCHO5W70/SRWPPs74t4I/AAAAAAAAAKA/FDmi4A1DQzc/s72-c/26_MVG_igreja2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-3874996259841726504</id><published>2007-02-27T04:34:00.000-08:00</published><updated>2007-07-10T16:21:04.431-07:00</updated><title type='text'>O  HORÓSCOPO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQoL-ExZ_I/AAAAAAAAACY/vEtx75vbdGI/s1600-h/folsom-street-fair-drag-queen.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036194469413742578" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQoL-ExZ_I/AAAAAAAAACY/vEtx75vbdGI/s320/folsom-street-fair-drag-queen.jpg" border="0" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; Seu António, homem de pouco saco e muita farinha, conforme se dizia à boca pequena, no bairro, é caladão, tem hábitos severos e goza de respeito temeroso em toda a vizinhança. Pai de duas filhas que com homens só viveriam se casadas de papel passado no cartório e na igreja, segundo vive repetindo. Jamais permite que Aurora, sua mulher, se ponha à janela, nem mesmo quando as duas vizinhas, Margarida e Hortênsia, flores de reputação duvidosa na sua avaliação explodem em imprecações nas brigas domésticas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;- Lugar de mulher é na cozinha...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;E é onde dona Aurora se enfia com os primeiros raios do sol, em meio aos temperos, cujos aromas chegam à sala de jantar do sobrado do doutor Adamastor, que doutor não é, título emprestado ao homem pela elegância no trajar e trejeitos que dão o que falar aos vizinhos.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seu António, mesmo rico, só aceita comer o que a mulher prepara. Uma escrava submetida às ordens do Senhor, pensam as filhas, também elas submissas às exigências medievais do pai.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Com a chegada do carnaval, Aurora, mulher de grande fé religiosa, vai para um retiro. Apesar dos protestos, leva as duas filhas, que só acabam cedendo por saber que rapazes da congregação dos moços também lá estariam.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um dia, na leitura do jornal, Seu António, que jamais tinha lido um horóscopo por desacreditar deles, decide dar uma espiada e lê: “Momentos divertidos virão, novas amizades lhe trarão infindáveis prazeres. Use roupas coloridas e muitos dourados...”.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pensa em Etelvina, mulatinha sestrosa, candidata a Rainha da Bateria do Bloco Unidos do Cabuçu, em escalada para chegar a Marquês de Sapucaí num futuro próximo que se prenuncia pelas atenções do bicheiro André Brilhante.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Recolhe no armário uma camisa roxa desprezada, a calça vermelha presenteada pelas filhas e jamais usada, a faixa dourada usada pela mulher com um grande laçarote na festa de formatura da filha mais velha e. Pronto! Joga tudo numa sacola e segue para o Catumbi, bairro vizinho onde mora o amigo da juventude Oriovaldo, solteirão e farrista incorrigível. Lá se dará a transformação e surgirá o Antônio horoscopiano para cumprir os desígnios dos astros.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Olha-se no espelho e não se reconhece. A princípio, sente-se ridículo, mas a imagem que vê de certa forma o agrada, pois é ela que romperá os grilhões de uma vida que muitos apontavam como careta. Convidado por Oriolvaldo, parte para o Bar do Juca, para umas cervejotas antes do que se promete uma esbórnea carnavalesca.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E acontece que na caminhada ao bar, Seu António cruza com a mulher de saia rendada, grandes argolas nas orelhas, rugas cruzando a face. Uma cigana! Que insiste em ler sua “sorte”, pouco lhe custaria. Constrangido, tenta se esquivar. Detesta ciganos, julgando-os todos vagabundos e ladrões. A mulher implora... Oriovaldo apela:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- O António, deixe que a mulher leia sua mão. A cigana precisa comer...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Desvia-se dela, se apressa, ainda ouvindo, a mulher que o persegue repetindo,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;- Sua sorte vai mudar, miserável...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;As palavras ainda ressoam... Entra no bar... Precisa beber alguma coisa mais forte que uma simples cerveja... Súbito, o bar se enche de mascarados coloridos como ele e íntimos de Oriovaldo. Fica confuso com a atração que o grupo exerce sobre ele. Nem saberia dizer como participa agora do troca-troca geral e anônimo no entra e sai do banheiro... Mas a sensação é de prazer jamais sentido... Prazer intenso, prazer só agora descoberto, prazer como nunca antes lhe fora dado sentir...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Volta à mulher com as filhas e com elas, a rotina da casa. Não a dele. Percebe agora quanto se vestia mal, sequer tinha perfumes. E se dá conta do vizinho, Dr Adamastor, sua elegância, sempre cheiroso, homem requintado... Tem sonhos eróticos onde o vulto do doutor se confunde com tantos outros invisíveis dos troca-trocas da noite de carnaval. Revira-se na cama, é intenso por demais o desejo, desejo que é dor, dor que é desejo...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não se intimida e aproxima-se de Adamastor. Aconselha-se sobre melhores flagrâncias, alfaiates, nomes de estilistas, chegando às minúcias dos anéis. Aurora surpreende-se a cada entrada com sacola estampando nome de grifes famosas. Pensa em Etelvina tão citada pelo marido e teme pela solidez de seus mais de 20 anos de casamento.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A vida segue e a vizinhança tem agora dois doutores. Gentis e elegantes cavalheiros, amigos inseparáveis nas idas à academia. Contratam o belo jovem Alfredo como personal training. Agora é cuidar da alma, pois o corpo está entregue a Alfredo, que se divide entre um e outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * * &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O médico plantonista atende:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Que outros sintomas acusa? Terei que pedir vários exames para um diagnóstico preciso.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Envergonha-se em ter que falar de sua vida sexual.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O médico constata o desespero do homem curvado pela dor, pálido, suando de dar dó, os olhos baixos, ar de constrangimento, como se desculpando por estar ali... &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leva-o à sala de exames, chama a enfermeira. Antes que chegasse, ele implora:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;-Por favor, doutor, pelo amor que tem a seus filhos, só o senhor...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ele não tem filhos, sequer é casado, mas atende ao pedido, dispensa qualquer ajuda, examina o paciente e encerra a consulta com a solicitação de um exame completo de sangue. Nenhuma pergunta mais. Preenche a ficha, escreve algo de modo a não comprometer o paciente. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chega o resultado do exame: é portador do vírus HIV.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seu António está confuso.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Fui sempre um homem severo demais com as fraquezas humanas, doutor. Deus me puniu. Ou me atingiu a maldição de uma cigana. Não sei dizer. Procurei ser sempre digno e honesto, doutor. Gosto da minha mulher, adoro minhas filhas... Jamais suspeitei de qualquer tendência homossexual. Creio que ninguém da família também. Peço-lhe que seja discreto. Assumo sozinho. Sou um homem rico, doutor. Precisando de alguma ajuda, conte comigo. Não interprete como corrupção. Gratidão apenas...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seu António pensa nos mascarados, em Adamastor e Alfredo. Qual ou quais? Como alertar os dois últimos do mal que começa a consumi-lo? Só então lhe ocorre a frase final do horóscopo: “mas não exagere nos seus prazeres durante o carnaval. Use a camisinha”. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-3874996259841726504?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/3874996259841726504/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=3874996259841726504' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/3874996259841726504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/3874996259841726504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2007/02/o-horscopo.html' title='O  HORÓSCOPO'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQoL-ExZ_I/AAAAAAAAACY/vEtx75vbdGI/s72-c/folsom-street-fair-drag-queen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-116869437438014783</id><published>2007-01-13T05:19:00.000-08:00</published><updated>2007-07-10T16:26:28.957-07:00</updated><title type='text'>O ENTERRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/640/131690/pORTINARI.jpg"&gt;&lt;img style="CLEAR: all; FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/320/82787/pORTINARI.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;Ponham-me no caixão com ele!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Olhos arregalados, em pé na calçada, eu acompanhava aquele entra e sai de mulheres e homens em trajes escuros.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Levado pela curiosidade, entrei na casa. De imediato fui abraçado pela gorda senhora, em prantos. Temi por alguns momentos que também eu tivesse que acompanhá-los em suas últimas moradas. Afinal, nem tão íntimo era assim. Muito pelo contrário. Muitas vezes era corrido por minhas preferências pela cajazeira do quintal dos não muitos simpáticos vizinhos. Nunca me passara pela cabeça que D. Maria pudesse entrar com mais alguém num caixão de defunto. Fosse retangular e largo, até admitiria, pois assim via as sardinhas em lata. Mas D. Maria? &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Ainda maior o absurdo da desproporcionalidade dos corpos. Seu Antônio, magrinho, magreza que mais ainda se acentuava junto à volumosa vizinha da casa assobradada em frente à nossa.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Auxiliada por mais três carpideiras, D. Maria fazia parte daquele quadrilátero de prantos que me atordoava e sobressaltava-me pela afirmativa de que homem tão bom como aquele não existia na face da terra e que Deus o teria sob sua guarda. Como "tão bom"? Afinal, aos meus olhos e pernas, nem tão bom ele era, pois não foram poucas as vezes que me correra a vassouradas ou o vira atracado com domésticas nas imediações de nossas casas.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Perdia-me em pensamentos, alentado pelo café de bom aroma e pelos bolinhos de milho que passavam em bandejas de louça floridas. O velório transcorria com os elementos necessários. O forte cheiro do espermacete queimado misturava-se ao aroma das flores, nauseando-me. Mas dali só me afastaria depois de certificar-me do milagre de colocarem D. Maria no caixão.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Razão eu tinha, pois meu amigo Beto me contara o velório da avó dele. Por falta de dinheiro, compraram “caixão de anjo” e depois de muito empurra daqui e empurra de lá, com a defunta comprimida, aparafusaram a tampa. Regada à boa cachaça, a noite ia alta quando uma vizinha curiosa, aproveitando-se do descuido dos parentes, afrouxou os parafusos na intenção de ver o rosto da defunta. A tampa impulsionada por pernas e mãos da velha comprimida caiu no meio do barraco, despertando alguns e acelerando a corrida favela abaixo.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Fascinava-me a idéia de como fariam isso com D. Maria. Fazia medições e pensava nos cajás já não mais policiados pelo casal. Olhei para o crucifixo à cabeceira do seu Antônio e cumpri a reza de que bem fossem eles acomodados, ainda que confessadamente descrente. Mas se multiplicados foram os pães, como me vinha sendo dito nas aulas de catecismo, por que não seriam alguns centímetros do caixão multiplicados?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;– Eu quero ir com ele! Deixem-me ir! Ponham-me no caixão com ele!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Definitivamente, D. Maria tinha presença de palco e estava decidida a não deixar o velório cair na monotonia. Se bem que a platéia já ansiava por variações do mote, a julgar pela troca de olhares e o silêncio que permitia ouvir as gargalhadas da cozinha – não há lei que proíba contação de piada em velório.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;– Talvez se virassem Seu Antônio de lado...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Apenas murmurei, mas a idéia ganhou vida própria e correu por toda a sala. Claro, virando-o de lado e encaixando a viúva em sentido contrário... E a palavra "encaixar" ganhou sentido e materialidade: D. Maria seria encaixada, era só uma questão de operacionalizar a decisão.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;O velório se animou. Havia sido encontrado o verdadeiro sentido daquela reunião, já que Seu Antônio, por mais que defunto fosse – e todos sabemos que os defuntos são bons, a vida é que os corrompe –, não era merecedor de tantas horas perdidas em um sábado de sol, nem dos balaios de pãezinhos de leite, os bolos de fubá, os biscoitinhos de maisena e os bules de café.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Bem verdade que alguns levantaram questões morais e éticas, mas o desejo explícito da viúva, o livre-arbítrio, a eutanásia e os antigos costumes hindus acabaram por esmorecer os pruridos. D. Maria seria encaixada, embora ela própria já não tivesse mais tanta certeza da verdade de sua fala – que idéia mais infeliz essa de repetir as palavras do folhetim – mas era mulher de não voltar atrás no dito. Encaixar-se-ia, se necessário fosse, nem que fosse a última coisa que fizesse nesta vida.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Ato contínuo desceram o caixão ao chão e as carpideiras tiveram algum trabalho no rearranjo das velas e do crucifixo – afinal, aquilo ainda era um velório. Um vento súbito inflou as cortinas e o cheiro do cajá-manga inundou a sala. Sentei-me nas tábuas do assoalho, evitando o olhar da viúva e sabendo que aquilo seria ainda melhor que lhe roubar os frutos. Seu Salatiel, o boticário, segurou os ombros do defunto e convocou com um olhar um voluntário para os pés. D. Arminda foi aos pés e realizaram a operação, com algum esforço. Digna, porém um tanto relutante, D. Maria encaixou-se, lado a lado.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Orgulhava-me ter sido o autor da idéia de como acomodá-los. Timidamente empurrei um pedaço de bunda de D. Maria que insistia em não se recolher ao exíguo espaço. E mais ajuda não prestaria, pois bem sabia do peso acrescido ao esquife. Não só eu, mas Juca Stapanato, italiano dos mais fortes das redondezas, que ao pressentir que seria convocado para repor o caixão na mesa, afastou-se para a varanda, mesmo diante do olhar crítico dos presentes.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Iniciaram-se as rezas, já agora no plural, pois dois seriam os defuntos – que um era de fato e por direito, e outro de corpo e alma presentes, a ter-se entre as pernas do primeiro, em suspiros. Era espetáculo de não se perder o que viria depois: a colocação da tampa. Deixei sobre a cadeira o bolo de aipim e me posicionei no melhor ângulo que me permitisse ver a compressão da volumosa senhora, mantendo uma distância que me resguardasse dos gases que diziam expelidos por recém-defuntos.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.ocaixote.com.br/caixote16/cx16_contos_tmfca1.html" target="_self"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;FINAL 1&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.ocaixote.com.br/caixote16/cx16_contos_tmfca2.html" target="_self"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;FINAL 2&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.ocaixote.com.br/caixote16/cx16_contos_tmfca3.html" target="_self"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;FINAL 3&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;Este conto contém 3 finais diferentes por sugestão da co-autora Teresa Mello.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-116869437438014783?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/116869437438014783/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=116869437438014783' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116869437438014783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116869437438014783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2007/01/o-enterro.html' title='O ENTERRO'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-116865647794548692</id><published>2007-01-12T18:46:00.000-08:00</published><updated>2008-11-22T17:20:32.773-08:00</updated><title type='text'>O MELIANTE DAS LETRAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/640/812068/arsene_lupin.jpg"&gt;&lt;img style="CLEAR: all; FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/320/369112/arsene_lupin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: 0% 50%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px; moz-background-clip: initial; moz-background-origin: initial; moz-background-inline-policy: initial" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="middle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Soturno, sempre desconfiei de suas intenções. Menino, ainda, vestiam-no com casacos pretos, que combinavam com profundas olheiras e as pesadas botas que o obrigavam a um andar arrastado, olhando, vez por outra, para trás, como cão enxotado. Arredio às brincadeiras de rua, me parecia uma dessas figuras a quem a vida não concede uma saída, aprisionando-o dentro de si mesmo. Na mão, amarrotadas folhas de papel almaço, que dizia ser o suporte para o que mais gostava de fazer: escrever. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Nunca ninguém vira nenhum dos seus escritos. Apenas suposições dos que o encontravam desatento, com um cotoco de lápis, a rabiscar, longe dos gritos das crianças que, iguais a ele, tanto se diferenciavam pela alegria. Nem mesmo seu nome sabiam. Por todos era tratado como “o escritor”, único momento em que o brilho dos olhos manifestava seu agrado. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Aguçava-me a curiosidade maior que a mangueira debaixo da qual se sentava no quintal de um velho casarão. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Voltei a encontrá-lo quando o casaco e as botas eram bem maiores. O casarão e a mangueira haviam dado lugar a um prédio em que empilhavam novas famílias. Meu reconhecimento se fez pelas encardidas folhas de papel em suas mãos. Que idéias teria posto nelas? E aguçado pela já madura curiosidade, me aproximei. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Assustado, olhou-me de soslaio e apertou o chumaço de papel com o medo natural de quem vive numa cidade ameaçado pela violência onde o canto dos pássaros havia sido substituído pelo sibilo das armas de fogo. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Tranqüilizei-o com os ares de velho amigo e mansamente falei de uma infância que vivia na minha memória: dos ipês lilás e amarelos que coloriam a rua sem saída perfumada pelos jasmins; do café servido com bolo de fubá e aipim, nos fins de tarde, entre papos acalorados dos homens sob o olhar adocicado das mulheres. Falei, ainda, de Helena, para quem ele nunca dirigira um olhar. Helena tão cobiçada por todos nós... E aventurei-me:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;- Diga-me, amigo, o que de tão importante escrevinhou nesses papéis, que sempre os teve protegidos dos olhares de todos?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Percebi o tremor de suas mãos que se seguiu à minha pergunta. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Aterrorizado, levantou-se e desapareceu ágil como nunca fora. Pensei nas pesadas botas...Foram muitos os anos e o reencontrei, cabelos brancos, corpo arqueado pelo peso dos seus próprios desencontros. Dirigiu-se a mim em passos arrastados sem que eu buscasse a aproximação. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Não fossem os papéis, não o reconheceria. Agora, tinha-os bem mais encardidos, mas não menos causa de sua inquietação e da minha curiosidade por tantos anos alimentada. Temendo afugentá-lo, pensava de como na abordagem viesse a desvendar o mistério dos seus escritos.Surpreendeu-me: &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;– Sempre vi nos que viviam próximos a mim a intenção criminosa de me tomarem os papéis. Por toda a vida eu os protegi. Cuidei deles como zelei pela minha alma. Neles está a minha própria razão de viver. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Como um meliante das letras, não resisti à tentação de roubá-los, cuidando de antes policiar se alguém me observava. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Arranquei de suas trêmulas mãos tão preciosos papéis, pois assim me pareciam. E num fôlego corri até a rua sem saída. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;E lá estavam o casarão, a mangueira e o menino. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Deixei junto a ele os papéis em branco que roubara...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-116865647794548692?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/116865647794548692/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=116865647794548692' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116865647794548692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116865647794548692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2007/01/o-meliante-das-letras.html' title='O MELIANTE DAS LETRAS'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-116865482776709111</id><published>2007-01-12T18:20:00.000-08:00</published><updated>2008-11-22T17:12:26.415-08:00</updated><title type='text'>NOITE DE NATAL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/640/146570/200px-DSC04820.jpg"&gt;&lt;img style="CLEAR: all; FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/320/852414/200px-DSC04820.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: 0% 50%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px; moz-background-clip: initial; moz-background-origin: initial; moz-background-inline-policy: initial" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="middle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;“... e tudo na vida é sonho, mas os sonhos... sonhos são.”C. Barca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E Marta o vislumbra entre as brumas da paisagem fantástica, pensamentos e sentimentos chegando aos dela, uma claridade mental que se interprojeta, ele e ela, ela e ele... um integrar-se em que nada se esconde... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas Carlos tem os olhos fixos no céu, recolhe em delírio as estrelas, coloca-as nas caixas de cristal, enlaçadas por fitas de arco-íris e lhe oferece o presente sideral. Porque é Natal... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ouvem-se murmúrios. Há uma estranha música, lentamente transformada em gemidos delirantes. Luzes explodem na rua em guirlandas coloridas. E o orvalho das lágrimas escorre no rosto sofrido. O doloroso contraste... A alegria inalcançável chegando pela janela entreaberta... Distante, cintila a árvore de Natal... Ondas de vultos brancos abrem-lhe o sorriso tímido num rosto de neve. Trenós de prata cruzam a porta. O tilintar dos cristais mistura-se aos guizos das renas, ao coral dos anjos, às preces longínquas. Uma a uma, distribui as caixas de cristal aos que chegam e o cercam, ajoelhados em oração. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pela janela, o sopro frio da madrugada ainda se faz mais frio. Ela e ele distanciam-se, caminhando entre as brumas, na busca da estrela-guia...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora Carlos dança, são volteios cadenciados. Cantos e ritmos pagãos enchem a sala. Cercado de atenções, lá está o homem sedutor que ele é agora, o dançarino sensual... Marta busca seus braços, o calor do corpo que busca. Mas Marta está agora sozinha no jardim... A chuva cai fina nessa noite sem estrelas... É preciso cumprir o ritual, tirar a moeda do seio, concentrar-se no pedido, jogá-la com as flores ao mar... Mas não há mares nem iemanjás... Apenas um coração... Porque é Natal...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E de repente, está de volta ao salão... Bocas embriagadas em delírios gritam alucinadamente, despertando cristos meninos das manjedouras das calçadas sob um céu riscado por fogos de artifício... E novamente Carlos, um vulto branco se esvaindo qual fumaça ao vento... Tenta segurar as fugidias vestes brancas... esbarra nos convidados... a dor da separação... as lágrimas contidas... toques estridentes...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E Marta acorda, confusa, telefone tocando, “feliz natal”, a voz da amiga querida, cumprimentando... Tão belo e estranho o sonho... Mas tem que levantar, tanta coisa a fazer, É Natal, sim, um infeliz Natal, Carlos a deixará, assim lhe fora dito na véspera... Uma viagem sem volta. Um oceano se estenderá entre eles... A distância infinita do adeus... Mas há outra distância, a dos sentimentos, a distância entre o querer e o poder, que cruelmente os separa... Sem piedade ou perdão pelos laços dos que um dia se uniram, dos que se quiseram bem, dos que um dia juraram fidelidade, quando noivos inconscientes das imprevisíveis paixões... das tristezas com que se tecem as renúncias... Da covardia dos que se acomodam e fazem da vida a rotina do meio termo banal, sem o encanto dos extremos, Ah, o mundo inconfessado dos desejos reprimidos, os sonhos denunciadores, uma supra realidade onírica do amor eterno e impossível...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pensativa, Marta busca-se no grande espelho. Uma mulher sofrida, frágil, ainda bonita. Apenas o vulto branco na penumbra do salão vazio. Passos arrastados em direção à janela de onde chegam os sons da vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Atira-se anjo no espaço... explode seus sonhos na calçada...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-116865482776709111?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/116865482776709111/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=116865482776709111' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116865482776709111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116865482776709111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2007/01/noite-de-natal_12.html' title='NOITE DE NATAL'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-116863748819328902</id><published>2007-01-12T13:31:00.000-08:00</published><updated>2009-03-15T18:29:49.877-07:00</updated><title type='text'>MAGIC GIRL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/640/596041/BOTERO%203.jpg"&gt;&lt;img style="CLEAR: all; FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/320/472102/BOTERO%203.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: 0% 50%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px; moz-background-clip: initial; moz-background-origin: initial; moz-background-inline-policy: initial" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="middle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Ela tinha 1,57 de altura e pesava 72 quilos. Usava uma camisola branca, curta, decorada com um rosto feminino escrito Mágic Girl, em letras vermelhas. Despenteada e com os olhos inchados, olhou-se no espelho e sorriu para a imagem que viu refletida.Lembrando-se de que ainda não tinha escovado os dentes guardou o sorriso e abriu a torneira do chuveiro e deixou que a água escorresse por seu corpo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Olhou pela pequena janela e viu o céu desperto numa manhã radiosa que prenunciava o nascimento da nova mulher a que se propunha ser. Para tanto, teria que vencer aqueles malditos quilos. A cada aproximação do fim do mês a promessa de que no mês seguinte cumpriria metodicamente os exercícios físicos e a dieta imposta pela nutricionista indicada pelo seu já desanimado endocrinologista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Cantarolou o "que será, que será..." de Chico Buarque e pensou na alcova sempre vazia. Mas ia dar um jeito em tudo aquilo. Quilos a menos, caminhadas a mais, e surgiria a nova Elvira, sedutora e seduzível, como fora alguns anos antes com Alfredo, seu primeiro marido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Enfiou-se no jogging, calçou o tênis e, porta afora, seguiu célere para o calçadão, misturando-se as que, como ela, buscavam o novo padrão ditado por estilistas homossexuais e politicamente corretos com seus proeminentes bustos, bundas ajustadas em apertados jeans, multicoloridas camisas e sapatos graciosos. Já se via como uma das giseles e naomis magérrimas. Mas vômitos estavam fora de sua cogitação, bem como jamais abdicaria dos gateaux da pâtisserie da esquina de sua casa, ponto obrigatório na volta do escritório.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Perdida em pensamentos, walkman embalando seus passos cadenciados ao som de "Boom Boom My Hearth", cruza com Mario, o ex-gato das tardes dançantes do clube. Finge que não vê, o que até poderia ser possível pelas grossas lentes que a miopia a obrigava a usar, mas impossível pela barriga ostentada e pelos ralos fios da outrora bela cabeleira que emolduravam o nariz grego perfeito daquele que fora a paixão da sua juventude.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Ao acordar, sentindo os efeitos da bebedeira da noite anterior, com a cabeça latejando, boca seca e lábios dormentes, ainda sob o chuveiro, Mário determinou-se a mudar de comportamento. A água que lhe empapava os poucos fios de cabelos que ainda lhe restavam, acumulava-se no alto da barriga e quase não atingia o órgão que, outrora, admirava com orgulho. Hoje, avistá-lo, só com o auxílio do espelho, objeto que ultimamente procurava evitar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Enrolado na toalha, que praticamente não cobria a circunferência que se transformara sua cintura, retirou da gaveta a velha bermuda cáqui, o par de meias brancas com frisos vermelhos e pretos e uma camiseta com a estampa de sua marca de cerveja favorita. Providenciou óculos de sol para esconder as olheiras, colocou alguns trocados no bolso para a água de coco que sabia iria necessitar e foi para o calçadão como quem vai para a guerra. Era sua batalha pessoal que começava a ser travada: a partir de hoje, nada de noitadas regadas a cervejas e vinhos baratos, adeus aos torresminhos do “Sujinho” e: Piranhas chorem, eis que está nascendo um novo Mário!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Após três anos de viuvez, resolveu enterrar de vez a esposa e partir para a uma nova vida. Isso mesmo, uma mulher de verdade, com direito a jantar a luz de velas e às cenas de ciúme; que lhe proibisse de sentar no sofá quando estivesse suado, que reclamasse da toalha molhada sobre a cama. Uma mulher que, à noite, o cutucasse com os cotovelos, quando roncava; que implicasse com o cheiro do cigarro e com o bafo da bebida. Era disso que sentia falta: da mulher de verdade – cansara-se dos perfumes francês, made in Paraguai, comprados nos camelôs, das marcas de batons vermelhos no colarinho, de acordar em camas, cujos colchões ainda guardavam os cheiros de outros homens e de corpos que não se ajustavam ao seu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;O pensamento, voltando ao seu corpo de formas roliças e flácidas, remeteu-lhe ao calçadão, armado com o diskman, onde introduziu um CD de Louis Armstrong, iniciou sua caminhada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Mal dera duzentos passos e cruza com Elvira. Fez que não a viu! Inacreditável como algumas pessoas têm a capacidade de se enfear cada dia mais. Lembrou-se das domingueiras, onde Elvirinha o perseguia. Magricela, míope e carente, ficava na “xepa”, aguardando os rapazes levarem um fora de suas prediletas e só então recorrerem aos seus favores. E ela ali, dócil, carente, disponível, consolava e consolava-se com poucos beijos na boca e amassos escondidos em algum canto mais escuro do clube. Mário também se consolara com ela quando fora preterido pela Miss Primavera e a partir desse dia Elvirinha encarnara nele, o perseguia com telefonemas, bilhetes e poemas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Até que terminaram o colégio, ele fora para a Faculdade de Engenharia e Elvirinha passou a lecionar no próprio colégio de freiras, onde estudara. Anos mais tarde, Mário soube que Elvirinha casara-se com o ex-seminarista, Alfredo, que levava a pecha de homossexual, porque ajudava nas missas do capelão da escola, o qual era conhecido no meio estudantil por não resistir aos apelos masculinos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;As passadas agora eram mais curtas e lentas e ela começa a desconfiar que a meta de um quilômetro jamais seria atingida. Conforma-se e busca na observação dos caminhantes distrair-se das dores que começam a se manifestar na batata da perna. Esquecera-se do alongamento recomendado por D. Alzirinha, a vizinha do terceiro andar que tinha no Dr. Cooper um Deus, se bem que um Deus que não lhe proporcionara o milagre da elevação dos peitos e desaparecimento do culote. Mas, enfim, nem todo Deus é perfeito, pensava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Seus batimentos cardíacos alterados jogaram-na num banco e por ali ficou a olhar João Ubaldo, o escritor, a perseguir um manquinho bem mais ágil, até que ambos desaparecessem de suas vistas com a vitória do manquinho por alguns metros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;“Arrastão! Arrastão!”. Os gritos vindo da areia coloca-a em sobressalto e lhe tira a atenção da loura coberta por um minúsculo biquíni. Já a vira na “Caras” e lhe pareceu com a mesma maquilagem exposta agora ao Sol. Corpo marombado em academia, a loura tinha ao seu lado um senhor de seus sessenta e muitos anos e, certamente, de alguns muitos milhões na conta bancária.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;A correria generaliza-se. Mas não seria ela exausta como estava que iria fazer parte daquela maratona, entre freadas e buzinadas. À distância, vem vindo Mario, passo de cágado, levando-a à certeza de que, como ela, pousara em algum banco, antes de retornar à casa. E dá-se o encontro, com o arfante Mario sentando-se ao seu lado e massageando as pernas finas que lhe pareceram em desequilíbrio com o volumoso tronco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;- A violência nesta cidade está de um jeito que não encontramos um momento sequer para o nosso lazer...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;O comentário não se perdeu no ar já que justificava para ambos o abandono de seus projetos. E foi fundamental para que começassem a falar do passado, matinês no clube, casamentos, com interrupções de “morreu” à lembrança de um ou outra dos saudosos tempos da juventude.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Foi quando os batimentos cardíacos de Elvira voltaram mais intensos ao repentino convite que se seguiu à interrogação do que ela faria naquela noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;- Conheço um barzinho super agradável numa transversal de Botafogo onde poderíamos conversar com tranqüilidade. Sou amigo do dono e garanto um tratamento vip, com bebida e tira-gostos honestos. Se não tiver nenhum programa, passo em sua casa às nove. Está morando aonde?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Passou o endereço, angustiada de que ele viesse a esquecer. Despediu-se com um beijinho de cada lado. Naquele momento, efetivamente, sentiu-se uma magic girl. E foi para casa, com outras idéias na cabeça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Quando a campainha tocou, Elvira ainda mergulhada em dúvidas mexia na gaveta de lingerie. Algumas ali estavam na longa espera em números menores. Num sobressalto, lembrou-se de estar sozinha, pois dispensara Conceição dos serviços antes de entrar no banho. A insistência levou-a a enfrentar a realidade de um peignoir sobre a pele e correr para a porta. Certificada de tratar-se de Mario pelo olho mágico, girou a chave, pedindo que lhe desse um minuto, entrasse e aguardasse no sofá até que acabasse de se arrumar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;A presença de Mario já na casa apressou a decisão sobre o conjuntinho preto de rendas que lhe pareceu simpático caso a noite se prolongasse. Apertou-se num jeans, uma camisetinha básica, enfiou o pé numa sandália, outra, mais outra, até certificar-se de ser a de tirinhas a mais sexy. Blazer creme realçando os adereços e pronto. O último olhar no espelho para conferir a maquilagem e partiu para sala deixando no ar o aroma do “Trésor d’Amour”, de Lamcôme, que lhe pareceu perfeito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Sentiu-se uma deusa pelo olhar de admiração, dois beijinhos, um “oi, como vai?” e o “Vamos?”, com a segurança de ser a dona da bola.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;A noite prometia e Mário, com a experiência dos anos de viuvez, percebia que não precisaria de muito esforço e dinheiro para ficar com Elvira. Pela maneira em que se arrumara e se perfumara a presa já estava no laço, era só apertar um pouquinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Ainda com o pudor adolescente de reencontrar amigos da velha turma, não colocou os braços sobre o ombro de Elvira, caminharam, lado a lado, pelo calçadão a procura de um táxi e quando o encontraram Mário deu o endereço do restaurante. Dentro do automóvel, colocou as mãos, amigavelmente, sobre os joelhos da companheira, sendo sutilmente repelido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Oras..Oras...pensou. E essa, agora?Esquecido do regime e das determinações impostas pela manhã, Mário pediu um filé à parmegiana, acompanhado de uma cerveja preta, esquecendo a salada verde no canto da mesa. Elvira o acompanhou e não resistiu à sobremesa, nem ao café com creme, oferecido pelo garçom. Conversaram sobre o passado, evitando a parte constrangedora do relacionamento anterior, falaram dos falecidos, da rotina que os engordara e os entristecera, brindaram ao reencontro no calçadão e às promessas descumpridas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Mário, mais por ser um cavalheiro do que por tesão, insinuou que poderiam esticar a noite em seu apartamento e ela gentilmente o liberou do encargo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Despediram-se com um beijo no rosto e o velho cansaço nos olhos. Ao retirar a maquiagem e vestir a velha camisola, onde em letras coloridas lia-se Magic Girl, Elvira sentiu a necessidade de programar o rádio-relógio para despertar as 7h00 da manhã, a caminhada no calçadão a esperava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Se tivesse olhado pela janela do apartamento teria percebido que Mário dispensara o táxi e dirigira-se ao boteco próximo. Bebia a primeira dose de um uísque enquanto olhava para as pernas bronzeadas e bem torneadas da mulher, de mini-saia justa e decote pronunciado da mesa ao lado. O olhar de desprezo da mulher trouxe a Mario a realidade do quanto necessitava se por em forma. Pediu a conta sem mesmo terminar a dose de uísque e foi para casa. Ao passar na portaria, uma solicitação ao vigia para que interfonasse às 7h00, pois retornaria à meta dos menos 15 quilos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Numa olhada para trás, viu Elvira aproximando-se. Diminuiu as passadas até que ela emparelhasse e seguiram firmes em seus propósitos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-116863748819328902?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/116863748819328902/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=116863748819328902' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116863748819328902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116863748819328902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2007/01/magic-girl.html' title='MAGIC GIRL'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-116863547413663707</id><published>2007-01-12T12:57:00.000-08:00</published><updated>2008-11-09T08:05:06.602-08:00</updated><title type='text'>O BEIJA-FLOR E A ROSA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/640/448069/Beija-flor.jpg"&gt;&lt;img style="CLEAR: all; FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/320/11046/Beija-flor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: 0% 50%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px; moz-background-clip: initial; moz-background-origin: initial; moz-background-inline-policy: initial" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="middle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Sempre assim as rotineiras manhãs no casamento sem brilho, preso pelo fio das convenções sociais, quem sabe, melhor dizendo, da norma fundamental, a que se obriga... Entre o acordar e o adormecer, entre os dois crepúsculos dourados, o contraste do descolorido da própria vida... O suceder dos mesmos dia-a-dias, pontilhados por difusa expectativa... E agora ali, diante da janela, à espera... Pressente que virá... E virá espargindo charme, jeito blasé, de convicta sedutora entediada? Quem sabe ansiosa? Algo novo na vida... Talvez a mulher em tantas outras vislumbrada, e enfim ali inteira, encontrada, ali presente, ela mesma...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Óculos... &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;A vista já cansada das tantas leituras, na longa procura da mulher perfeita, que sempre acreditou existisse. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Acreditou... Não mais... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Sabe-a imperfeita, como todas as outras que imperfeitas são, malgrado as teias dos estudados complexos sentimentos e emoções... Sim, sabe-a perdida e imperfeita... Por mais que tenha enriquecido a mente, sempre versátil e aberta...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Jornal abandonado ao lado, tão pouco o interesse pelo moto continuo das tragédias, já tornadas rotineiras, tanto se repetem embotando os sentidos... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Aguarda... Como aguardara em tantas outras manhãs ensolaradas que ela chegasse, romanticamente, pelo vidro da janela... Sonho e razão em harmônica convivência. A ainda imprecisa bem-amada cuja ausência se faz sentir nas solitárias noites enluaradas, ou na estranha saudade configurada na chuva caindo, quando sozinho suspira à janela...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Mas, aos poucos, a manhã se transmudando... De onde os enigmáticos acordes entrando pela janela, pelos ouvidos já ansiosos, trazendo mensagens nunca antes apreendidas? E então o vê, jóia preciosa, brilhando ao sol, no bater das asas, um beija-flor pequenino, que, frenético, se aproxima, girando sobre si mesmo... Quem sabe reverência, quem sabe um beija-flor também buscando amor, amor de beija-flor...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Sonhador e curioso, assiste ao mágico balé do passarinho na roseira, no palco que a natureza ensolarada lhe empresta, beijando as belas rosas, que o recebem entre espinhos, sem magoar... Como ele próprio receberia um dia a bem amada se viesse, os espinhos da vida afastados...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Quem sabe também assim, entrando pela janela, trazida pelos secretos desejos, pelas forças da natureza, um destino escrito e cumprido entre os que se buscam respondendo a enigmáticos chamados...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;O vento sopra forte agora... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Tão sensuais os movimentos da roseira... Rosas desabrocham... Há um expor-se e oferecer-se ao beija-flor... A rosa favorita encontrada. Fim da busca? Ou colhida a rosa preferida, outras rosas viriam, num infinito procurar de rosas desejadas? Suga a rosa mais querida... Que se desfolha... E com ela a própria vida? Tombará por fim sob a tristeza do pálido luar? Sob os apelos do sereno em lágrimas desfeito?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Volta à floresta o saciado beija-flor...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Já não há sol... Que as nuvens escuras trazidas pelo vento encobriram... Trovões ameaçadores se sucedem... Pressente na agitação da natureza e de si próprio que é chegado o momento do encontro... E no imprevisto cenário, nunca imaginado... Há um frenético bater de mãos nos vidros da janela... E então a vê chegar, dobrada e sofredora, molhada e suplicante, a sonhada bem amada, os braços estendidos... Tão oposto da imaginada figura sedutora... E talvez por isso mesmo mais querida... Que ele ampara e leva ao leito... E entre afagos e sonhos realizados, um frenético beija-flor e uma rosa desfolhada...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Desfaz-se o cenário. Sonho ou realidade, se pergunta ele? Não sabe... Que importa? Viveu momento de paixão... É o que conta... Talvez por instantes a outro mundo levado, na enigmática intersecção de tantos universos... Na busca do beija-flor, a sua própria busca... Um beija-flor e uma rosa desfolhada... O homem desejoso e a mulher encontrada... Cumpriu-se o que os astros decidiram? Conhece enfim o sentimento que chamará de amor...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-116863547413663707?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/116863547413663707/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=116863547413663707' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116863547413663707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116863547413663707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2007/01/o-beija-flor-e-rosa.html' title='O BEIJA-FLOR E A ROSA'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-116863271495897075</id><published>2007-01-12T12:06:00.000-08:00</published><updated>2007-01-12T12:50:10.653-08:00</updated><title type='text'>OS GRITOS DE AÚA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/640/948951/A%20casa.jpg"&gt;&lt;img style="CLEAR: all; FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/320/244005/A%20casa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: 0% 50%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px; moz-background-clip: initial; moz-background-origin: initial; moz-background-inline-policy: initial" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="middle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Vê o mar em frente... E na linha do horizonte, o céu se fazendo mar, que brancas gaivotas sobrevoam... &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Vôos de liberdade... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Fixa o olhar nos braços do Cristo Redentor... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Da rua, chegam as vozes das crianças inalcançáveis em seus jogos infantis. Isolada pelo muro do preconceito, a menina excepcional se perde entre as vozes confusas do rádio sempre ligado, prisioneira da incompreensão familiar, o mundo só entrando pelas frestas da janela, de onde partem seus gritos: aúa, aúa, aúa...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Chamavam-na de “Aúa”.Aúa é o grito-símbolo da minha infância.“Aúa” é a rua sem saída, terminando nos muros da mansão do banqueiro do jogo de bicho... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;“Aúa” é o apelo da liberdade negada, o passeio na pracinha, o mundo lá fora transbordando de sensações... “Aúa” é o cheiro recendente do bolo de fubá, o perfume dos jasmineiros, as vozes infantis nas brincadeiras... “Aúa” é o colorido dos flamboyants que sombreavam as tardes quentes da minha infância... “Aúa” era a curiosidade, o medo dos gritos da menina saídos das frestas da janela, pegando-me desprevenido, quando, fugindo da vigilância da ama, caminhava sozinho até os limites da tinturaria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Nunca vi “Aúa”. A imagem que guardo é de felizes meninas pulando “amarelinha” ou, cabelos ao vento, indo e vindo na calçada em suas bicicletas. Aúa nunca estava entre elas. “Aúa” era um som... O grito do inconformismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Sem “Tarik” e “Pipoca”, o casal de fox-terrier quesaudava meu pai na volta do trabalho, deixei a rua sem saída, mudando algumas quadras adiante para o casarão de minha avó materna, cega e bondosa. O casarão já não vivia o seu apogeu, com as paredes aqui e ali descascadas. O casarão onde, na biblioteca, o tio esquizofrênico acumulava em grande desordem volumes e traças. Lá, eu acordava com o cantar dos pássaros e dormia ouvindo o pio da coruja, o agitar do vento nos salgueiros, o eco de passos no corredor. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Era um tempo mágico, impregnado pelo aroma da bananada feita no tacho de cobre no fundo do quintal sob o comando da avó acertando pelo olfato o ponto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Era um tempo de histórias e fantasmas. Das fugas de Honorina, o bicho-preguiça, para o quintal do vizinho “Cuco”, que aparecia na janela gritando que fossemos buscar o pobre animal inofensivo para que voltasse ao ipê do quintal, onde me aboletava num dos galhos para ver através da janela do banheiro as mulheres se banhando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;E era tempo de colher frutas no pomar do casarão, disputando com pardais, rolinhas e morcegos em vôos arrojados, as mangas, carambolas, abios, sapotis, ameixas, abacates... Tempo de brincadeiras, de quedas das árvores, algumas terminando por levar-me ao Pronto Socorro pelas mãos aflitas de minha mãe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Alfabetizado muito novo no ginásio fundado do meu avô, lia os jornais, atendo-me ao diário de “Giselle, a espiã nua que abalou Paris”, publicado num vespertino.Tempo das manchetes de uma guerra só sentida pelo racionamento do pão de tostão da “Padaria Colombo”, uma homenagem equivocada do “seu” Joaquim ao descobridor do Brasil. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Tempo ainda da mansão do banqueiro tornada centro de recrutamento da Força Expedicionária Brasileira. E de conversa de adultos sobre os valores nutritivos das batatas que alimentavam famílias inteiras durante a guerra, a justificar a sua presença sempre à mesa, fossem fritas, cozidas ou assadas. Tempo dos meus pesadelos com os ratos que infestavam o casarão, influenciado pelas narrativas de que serviam de alimento aos guerreiros famintos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Estranho mundo que fazia guerras pela paz, formando novos impérios. E despersonalizando povos milenares em suas tradições.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Crescendo, fui ganhando o mundo negado a “Aúa”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Pelas mãos de Orumba Paracatu Mandina, neta de princesa escrava e “filha de criação” do meu avô para serviços domésticos, conheci a espuma do mar de Copacabana que iria curar-me das crises de asma. Orumba de canto triste, que ganhara a liberdade pela Lei do Ventre Livre, vindo a morrer de nó nas tripas depois de sofrida prisão de ventre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;- Ô, menino, vai comprar manteiga, lá na Travessa do Ouvidor...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;A ordem partia de minha avó ou de uma das tias e trazia a emoção da longa viagem no sacolejar do bonde, com baldeações no Tabuleiro da Baiana. O troco virava suco na “Laranjada Americana” ou caldo de cana no Hotel Avenida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;No Largo de São Francisco, buscava com meus olhos de criança o clarão do incêndio do Park Royal em que tantos haviam morrido, aprisionados pelas portas trancadas, num inferno de fogo e de celulóide dos brinquedos que traziam sorrisos às crianças. Lá estava apenas o espaço vazio ao lado da Igreja de São Francisco. O santo me parecia descuidado pela quantidade de fiéis mortos.A vida se alongava... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Sepultos, agora, os trilhos, tirados da paisagem carioca os bondes lotados dos alegres foliões nos carnavais de confetes e serpentinas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;E enquanto os gritos de “Aua” ainda ecoavam, no sacolejar da História, a Ciência avançava para o Bem e para o Mal, a penicilina curava milhares de vidas, que a era atômica aniquilava em Hiroshima e Nagasaki. Sabin com sua vacina nos livrava de muletas e cadeiras de rodas as novas gerações, mas que voltavam a ser ocupadas pela velocidade imprimida aos veículos por um mundo que queriam mais moderno ou das balas de armas cada vez mais sofisticadas e mutiladoras.E no casarão, os gritos dramáticos do tio esquizofrênico. Que não o internassem no sanatório onde choques elétricos o devolviam mais gordo e manso dos surtos do seu mal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Médico homeopata era o tio quem curava os moradores do casarão das doenças, com o “Alium Sativum” ou o “Nosvômica”, de sua farmacopéia mantida numa caixa com o título de doutor que fez por merecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Bengala e guia da minha avó, era eu quem, trôpego de sono, a levava á missa das cinco, para pedir perdão pelos pecados que não tinha. Era o meu calvário na direção da cruz da Matriz, cumprido religiosamente todos os domingos e que me dava o direito de ser o guardião da chave da gaveta da escrivaninha dos mil réis e do guarda-casaca onde, entre peças do seu enxoval, estava a latinha de caramelos com que ela premiava os bons feitos dos netos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;“Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco...”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Muitas eram às vezes em que, convocado, sentava ao seu lado para a Hora da Ave Maria, na voz de Julio Louzada. Não seguia as rezas, mas ficava aguardando a “Ave Maria” de Gounod que encerrava o programa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;“... bendita sois vós...”.E nem poderia deixar de ser, pensava.As orações eram agora dirigidas pelo padre, enquanto os círios queimavam e o espermacete escorria como lágrimas. No salão forrado de azul com flores de Lys douradas, o caixão com vovó vestida com o hábito da Irmandade do Carmo a que pertencia. Uma grande cruz de prata reluzia à sua cabeceira. Na parede, o par de quadros retratando meus bisavós cujos olhares pareciam acompanhar as reverências à filha morta. Em suas mãos, o terço de ametistas trazido de Roma por um dos filhos, junto com a absolvição plenária concedida pelo Papa Pio XII, conforme documento emoldurado em seu quarto. A decisão de enterrá-la com o terço foi tomada por eu ter dito ser esta uma de sua vontades. Mesmo não sendo verdade, vovó merecia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Lá fora, o cocho de penachos negros e a longa fila de carros aguardavam o fim dos trabalhos. Desci pela última vez as escadarias de mármore do casarão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Anos se passaram... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Retornei à rua sem saída e ao casarão. Queria de volta a minha alegria infantil, o cheiro da bananada, o sabor da manga madura apanhada no pé... Fui em busca do meu sorriso espontâneo, minhas solidões, meus silêncios e minhas lágrimas... Meus medos inocentes das sombras projetadas pela luz da candeia...Por onde andariam os fantasmas escondidos nos cantos escuros de tábuas que gemiam à noite, o pio da coruja, o ranger das portas, o farfalhar do salgueiro, os passos ouvidos no corredor?Que retornassem com meus sonhos, dúvidas e desatinos, querências que me foram arrancadas sem consulta... E a menina de trança que ria do meu amor primeiro...Que fora feito da espera dos cometas que não vi, das estrelas que fiz minhas, dos horizontes azuis aonde não cheguei?Queria de volta as crenças em promessas não cumpridas, esperanças e devaneios... E o grito de liberdade de “Aúa”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Queria o futuro que meu passado prometeu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;Só encontrei escombros...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-116863271495897075?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/116863271495897075/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=116863271495897075' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116863271495897075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116863271495897075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2007/01/os-gritos-de-aa.html' title='OS GRITOS DE AÚA'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-116854115546885377</id><published>2007-01-11T10:41:00.000-08:00</published><updated>2007-01-11T10:58:58.846-08:00</updated><title type='text'>FIM DE LINHA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/640/145690/Clav??.jpg"&gt;&lt;img style="CLEAR: all; FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/320/842405/Clav%3F%3F.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: 0% 50%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px; moz-background-clip: initial; moz-background-origin: initial; moz-background-inline-policy: initial" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="middle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Atira o paletó sobre a cadeira, dramatizando o gesto:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tô desempregado!A mulher, olhos fixos na novela, suspense no auge, mal ouve a informação, sequer desprega os olhos da tela, mas indaga, e agora? A pergunta tanto podendo se dirigir à novela quanto à perda do emprego.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Xiiii, pai... A menina brinca com o piercing do umbigo, a perda do emprego do pai frita os sonhos mais recentes, viagens, roupinhas de grife.- É, pai, estamos ferrados... As palavras do filho se contrapondo ao pensamento. Sabe que o pai pouco acrescenta ao lar, a mãe, sim, é o sustento de todos, uma lutadora.Sim, ferrados estaríamos, pensa ela, se a manutenção de tudo e todos dependesse dele, marido preguiçoso e temperamental. Emprego nenhum lhe parece bom, este até que tinha durado muito, três meses, enquanto ela se rala na direção da escola, entre crianças voluntariosas e seus pretensiosos pais novos-ricos, e cuidando da casa, atendendo aos filhos, ouvindo os eternos queixumes do milongueiro desempregado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Até quando? Até que ponto se pode esticar as fibras, até onde responsabilidade sua também, acomodando-se aos rumos da sua vida, contemporizando, como se os acontecimentos tivessem vontade própria e dirigissem seu destino, levando-a a deriva, parecendo viver entre cegos-surdos-mudos, alheios às dificuldades, a cada dia mais monossilábicos, desencontrados do saudável hábito do convívio familiar, marido capaz de dissertar horas com o vizinho, (outro vagabundo labioso), marido que tudo sabe sobre tudo e sobre todos, e em detalhes o escândalo político que tomou conta das atenções do país, discutindo com minúcias os episódios do dia anterior, erros e acertos dos envolvidos, em teoria, um salvador da Pátria... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas boca e ouvido fechados, quando se trata da inaptidão do filho para o trabalho, seu mui digno herdeiro, vinte e cinco anos, sem escola e sem emprego, dormindo com a chegada do sol e acordando com as primeiras estrelas, cantorzinho de banda mequetrefe, surfista domingueiro e, quando não em cima de uma prancha, navegando na Internet onde despeja o saber que raramente vai além de um “ki koisa, ein?”. E pensar quanto sonhara para ele um diploma de médico, quanto se privara pagando cursinhos caros e vestibulares longínquos... Dinheiro posto no lixo... E a filha cujos interesses parecem se resumir em tatuagens, piercings e namorados em seqüência... Que família! Sementes ruins, explica a mãe, consolando...Então aconteceu que, naquela noite, assistindo aos jornais, súbito, se deu conta de que apenas três grandes inteligências, para o bem ou para ou mal, ou ambos, (quem é que sabe?) vinham se revelando ao país estupefato, o satânico homenzinho careca, o homem que parecia estar em toda parte, envolvido em mil maquinações, falando em milhões como ele fala em moedas de dez centavos, um gênio, sem dúvida, vontade até de escrever aos jornais, propor fosse ele o presidente da República, em nome da competência, malgrado todas as maroteiras. O segundo, o político mais famoso do país, o grande líder que, em surdina, tinha colocado sob suas rédeas um país inteiro, nunca deixando rastros, negando qualquer ilícito, tudo com cara de homem integro, inocente... E o terceiro, o político cantor, o homem que tudo sabe, nenhuma parede por mais sólida, nenhum cofre por mais seguro, lhe escondem qualquer segredo, nada escapa ao seu olhar penetrante, e ainda um grande cantor, um “mis-en-scene” como raramente se tinha visto, artista nato, o país inteiro pendurado nas suas palavras, ora candentes, ora suaves, mas sempre peremptórias... Que trio... Ah! Era com gente assim que gostaria de lidar, sair da mesmice da sua vida, dar uma guinada, fazer baixar o olhar desafiador da mulher, dar aos filhos a realização dos desejos... E por que não?O telefone toca...Na linha, o companheiro de muitas parlapatices dos tempos de sindicato. Comentou sobre seu alinhamento na legião dos dez milhões de desempregados e das nuvens negras que ameaçavam sua família. Se havia parte de verdade, esta era a de que mais pesaria ainda para a mulher.Seguiu-se a convocação para que fosse para a capital, um verdadeiro eldorado.E por lá aportou.Asas brancas transportando sonhos de igualdade do arquiteto genial.Coriolano o esperava no desembarque, sorriso largo:- Grande companheiro!Cumprimentos efusivos de parte a parte e seguiram para o apartamento da Super Quadra Sul, onde já o aguardavam a mulher do amigo e os filhos do casal.Já estava tudo acertado, garantiu o amigo que transitava com grande desenvoltura nas ante-salas palacianas. Iria para o gabinete do deputado Hermenegildo de Almeida, como um aspone a mais até que firmasse conceito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mãe corre aqui. Pai tá na televisão!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O grito histérico da filha fez com que se antecipasse aos fatos, imaginando-o crivado de balas, tombado pela violência a cada dia ocupando mais espaço na mídia. Mas o que viu foi Hermógenes ladeado por dois policiais federais, algemado, entrando num camburão.Corte na cena e reaparece o pilantra tentando esconder o rosto, enquanto a voz da locutora chega pastosa aos ouvidos da família Penteado:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Preso hoje em Brasília Hermógenes Penteado, um dos integrantes da máfia chefiada pelo funcionário Coriolano da Silva e principal responsável pelo superfaturamento na compra de quinhentas geladeiras que seriam distribuídas aos congressistas. Ex-assessor do gabinete do deputado Hermenegildo de Almeida, foi indicado para chefiar o Departamento de Manutenção da Câmara dos Deputados e era quem ficara encarregado das licitações por indicação do Sr. Coriolano da Silva.- Que incompetente! Foi o único adjetivo que a mulher encontrou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tinha mesmo que ser preso esse pulha envolvido com geladeiras, pois pela vida só fez entrar em fria. Sempre desconfiei do Coriolano, desde os tempos do sindicato, quando vivia a tripa forra as custas das contribuições dos operários.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pára mãe! Não esqueça que ele é seu marido e meu pai...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Seu pai. Meu marido deixou de ser a partir de agora. Vou procurar advogado e entrar com ação de divórcio. E mais essa agora... Não bastassem anos e anos eu ralando em salas de aula para garantir o supermercado e agora ter que aturar a pecha de mulher desse Brastemp de uma figa. Em que gelada me meti...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;CPI e lá está a cara cínica a negar tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Atende aí, gente. Será que nessa casa nem para atender telefone vocês servem...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do outro lado da linha a voz sussurrante já agora do ex-marido...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Alô... Quem? Ué, saiu da cadeia? Melhor que tivesse ficado de vez por lá... Pelo menos garantiria casa e comida de graça, porque aqui nem pensar, pois não vou sustentar vagabundo corrupto... Como é que é, habeas corpus? Esse país não tem jeito mesmo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Amor...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Amor é o cacete. Vai dizendo logo a que veio... Se for dinheiro, tire seu cavalinho da chuva... No meu agora você não põe a mão em nem mais um níquel... O que? Festejar a liberdade? Só me faltava essa... Só falta ser com recepcionistas e num hotel de Brasília...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bate o telefone, dirigindo-se a filha:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vá a gente acreditar na Justiça. Só a de Deus e ainda assim temos que morrer para conferir. Que vergonha, Senhor, que vergonha! Nada disso... Não tenho que ter piedade coisa nenhuma. Piedade, sim, dos milhões que minguam de fome, das centenas de milhares de crianças cujas barrigas só se enchem com verminose. Sepultaram de vez a ética sete palmos abaixo das fundações do Congresso... E essa camarilha a fazer o povo acreditar que chegavam para mudar o Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- João Alfredo, aonde você vai?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O filho, sem que mesmo lhe dirigisse um olhar, anuncia a ida a Brasília, onde, a pedido e expensas do pai, iria com a banda animar a festa da liberdade e – quem sabe? – fechar contrato para participar de comícios do partido governista.E arremata, com jeito debochado:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mãe, estamos em campanha. Pai vai ser lançado candidato a deputado pelo Distrito Federal. Processo... Que processo? Vem pra Caixa você também...Vem!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-116854115546885377?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/116854115546885377/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=116854115546885377' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116854115546885377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116854115546885377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2007/01/fim-de-linha.html' title='FIM DE LINHA'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-116853411229754394</id><published>2007-01-11T08:46:00.000-08:00</published><updated>2007-01-11T09:23:11.946-08:00</updated><title type='text'>PÉ DE ANJO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/640/200460/Anjos%20(Ceschiatti).jpg"&gt;&lt;img style="CLEAR: all; FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1300/1849/320/308936/Anjos%20%28Ceschiatti%29.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: 0% 50%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px; moz-background-clip: initial; moz-background-origin: initial; moz-background-inline-policy: initial" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="middle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;A negra Tereza, vizinha de dois barracos adiante se orgulhava de tê-lo amamentado quando o leite secou no peito da mãe, pouca coisa mais que dois meses depois de parido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o negrinho as coisas se antecipavam: caminhara aos sete meses, acordava sempre antes, precipitava-se em suas alegrias, adivinhava as falas, antecedia as desilusões, sofria precocemente. Na hora certa, exata e aprazada, somente o petardo: nem antes, nem depois – certeiro e justo.&lt;br /&gt;"Pé de Vento" era como o chamava a clientela da negra cujos muitos quilos recomendava as boas marmitas que fazia. Do filho não cobrava mais que suas carreiras na entrega do sustento. De instrução, muito pouca. O futuro do negrinho estava mesmo nos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rápido como o vento, disputava carreiras com os veículos, perdendo todas, metros adiante, pondo a culpa no fôlego que lhe faltava, arquejante e sorridente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Nos altares da minha infância, lá estava sempre com asas nos pés, nos incríveis dribles das peladas da rua. Verdade que negros, não os encontrava barrocos entre tantos outros louros que adornavam a Matriz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Nunca ninguém soube seu nome e pouco importava que tivesse. "Pé de Anjo” para nós era "Pé de Anjo" e só. Era como todos os chamavam entre os gritos de "passa a bola" ou "chuta logo". O que fazia com perfeição diante da pequena platéia de operários onde era erguido o monumental estádio. Suarento, sentava-se ao final de cada partida no chão de terra batida e sonhava um dia transpor o tapume que delimitava o espaço, junto à entrada da geral do Maracanã, em final de obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assegurava a todos que um dia, do lado de fora, ouviríamos os gritos da torcida do seu time, a incentivá-lo nas arremetidas em direção ao gol. Não sei onde foi arrumar as chuteiras velhas que calçava, meio desequilibrado. Mas os protestos da molecada descalça foram tantos que não mais as usou. Onde já se viu pé de anjo de chuteiras?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;O pai morrera de tísica, garantia. Certo mesmo é que jamais o tivera. Mas isso pouco importava, superior na qualidade daquilo que mais gostava de fazer: correr uma corrida inútil e sempre perdedora contra tudo que se locomovesse a motor ou deixar caídos para trás os moleques do time adversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pés de príncipe!", ria-se dele a mãe, nos poucos momentos de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda-feira, a caminho da feira do Campo de São Cristóvão, a desabalada carreira num revezamento de pés impulsionando o carrinho de rolimã que garantia com os carretos um troco mais ao sustento do barraco. Hora da entrega da marmita e a disputa com o bonde de São Januário. Uma boa arrancada – perderia, é claro, qual ser movente poderia encarar a máquina no cio, ladeira acima? Mas acenariam lá de dentro todos os operários – “Pé de Anjo”!, “Pé de Anjo”!, assim como gritam em dia de descanso, à beira do campo de várzea, quando ele, enlouquecido, arranca novamente desmantelando a zaga adversária.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Um dia, "Pé de Anjo" não apareceu para a pelada. E o aroma da carne assada, banhada no feijão, que a mãe mandava para a freguesia, deixando um rastro de sabores que sinalizava a hora do almoço, não mais aguçou o apetite da vizinhança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Nessa noite, ele antecipa e dormem os outros – Minguinho, Trolha e Zé Baião; Cafuné, Orelhinha e Delson; Joãozinho de Irene, Índio, Nonato, Tião da Timbira e Mangueirinha. Entre o sono de Nonato e Manguerinha, a sua vigília.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;De costas, mãos cruzadas sob a nuca, sorri quando ouve o primeiro canto de Trasontonte, o único macho que com ele disputava os sorrisos de sua mãe. Conta os regulamentares doze segundos e ouve o galo de D. Arlinda cantar, seguido de outro e de outro ainda mais. Sabedor de que “um galo sozinho não tece a manhã”, espera que os cantos se confundam e entreteçam a aurora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;O canto estridente do galo cede vez ao despertar com o rádio bem baixinho na esperança de ouvir uma palavra de Jaguaré. Cedo demais. Um passo pra fora e recolhe os uniformes do Leão de Ouro, as meias ainda úmidas. Alisa as camisetas, os calções, arranja no saco de estopa, ganha a rua.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Cinco quarteirões até o campinho. O ar morno, o compasso de seu coração e o cheiro da dama-da-noite acabam por chamar seus companheiros: Ademir Menezes o alcança na primeira esquina, chuta a bola para defesa de Barbosa. Riem os três, já sabendo do que acontecerá naquela manhã, o Leão de Ouro levando a Taça do Campeonato de Várzea, com dois gols irretocáveis saídos daqueles pés de anjo. No quarteirão seguinte Jair bate uma falta e junta-se ao passo gingado do grupo. O sol já se denuncia, bola vermelha alçada ao céu. Se alegria tem nome e jeito, ele sabe que deve ser isto que sente agora e mais o cheiro de couro das chuteiras que traz na sacola a tiracolo. Carrega-as e não mais as calçara desde o protesto dos meninos, embora os pés as reclamassem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Tesourinha e Heleno surgem no último quarteirão. Elogiam as camisas improvisadas, passam os dedos na faixa preta, lambuzam a cruz vermelha e se borram nas tintas vagabundas. Ri com eles, nem se importa. Amigos, daqueles de passar a mão na bunda em sinal de apreço. Sabe que alcançado o campinho suas brincadeiras não mais existirão, suspensas até a madrugada do domingo seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Copa do Mundo de 50 trouxe-lhe algumas lágrimas, mas não lhe apagou o sorriso da esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esperem que numa próxima estarei lá para ajudar a molecada a trazer o caneco. À sua volta, debochávamos, mas com certo respeito. Tião da Timbira nunca o poupava das gozações e emendava com um “só se for como marmiteiro da Seleção”. As desavenças entre os dois cessavam no campinho em trocas de passes perfeitos, seguidos de abraços sob gritos de “gol!”.&lt;br /&gt;Os anos correram mais que seus pés e nunca ouvimos a multidão gritar seu vulgo no Maracanã. As notícias chegavam pelo vento. Diziam que era dono da cantina próximo ao campo de várzea, onde o consumo da bebida se tornava cada vez maior; outros afirmavam que era técnico do Leão de Ouro, cobrando sempre velocidade e toques de bola dos seus jogadores, só satisfeito quando todos resfolegavam ladeira acima, ladeira abaixo, no campo ao pé do morro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pois é, doutor, teve jeito não... A pereba não curava e o jeito foi cortar o pé mesmo. Não sei para onde meu pé foi...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Não fosse o sorriso alvo, não o identificaria pelas têmporas grisalhas e as profundas rugas, marcas da vida e do sofrimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Silenciosamente afastei-me e me dirigi ao Serviço de Patologia. Lá estava ainda o pé. Por momentos, tive a impressão de vê-lo com asas...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;(Este conto teve como co-autora Teresa Melo)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-116853411229754394?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/116853411229754394/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=116853411229754394' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116853411229754394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/116853411229754394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2007/01/p-de-anjo_11.html' title='PÉ DE ANJO'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-113179552719550681</id><published>2005-11-12T03:35:00.000-08:00</published><updated>2007-02-27T04:00:52.656-08:00</updated><title type='text'>O TEMA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQcOeExZ4I/AAAAAAAAABM/BRJoe4BUZxY/s1600-h/museu06.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036181318223882114" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQcOeExZ4I/AAAAAAAAABM/BRJoe4BUZxY/s320/museu06.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ali estavam todos reunidos à volta da mesa. Olhares interrogativos sobre o que os levara a uma convocação de tal urgência. Tinham como certo que os últimos resultados obtidos não justificariam tal pressa. Se não ótimos, bons sem a menor dúvida. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas ali estavam todos, enfatiotados, como determinado para reuniões de tal porte. E assustados. Isto podia ser observado no tamborilar na mesa de Agenor e no uso constante do lenço a enxugar gotículas de suor da testa de Marcos e ainda o piscar insistente de olhos de Turíbio sempre que se via à frente de questões relevantes que dependessem de suas decisões. Numa das extremidades da mesa, Coriolano mantinha-se de cabeça baixa, introspectivo. Era seu jeito de ser. Coriolano era o último a opinar, mas suas opiniões eram sempre acatadas por unanimidade. E tinha sempre à sua direita Herculano, submisso a balançar a cabeça afirmativamente às primeiras sílabas de suas exposições de motivos. Ali estavam as peças principais no tabuleiro. Todas não, pois faltava o rei, Adroaldo Barata, que se orgulhava em dizer que com tal equipe era difícil que alguém lhe desse o xeque-mate. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O silêncio era profundo quando irrompeu na sala "El-rei", como brincavam os colaboradores mais íntimos. Mais íntimos seria um exagero, pois todos sabiam muito bem que dr. Adroaldo não era homem de intimidades. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E tomou a palavra. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Senhores, imagino que saibam o motivo de os ter convocado em caráter de urgência... &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todos assentiram pela força do hábito de concordar fosse com que fosse saído da boca de "El-rei", que prosseguiu: &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Fui desafiado pelos concorrentes a apresentar um tema que os obrigasse a reformular métodos que mudassem não só a estrutura de suas empresas, como os levasse a repensar suas próprias vidas. Passo aos senhores o desafio pela crença na capacidade de cada um. A reunião será suspensa por meia hora e cada um dos senhores se dirigirá às suas salas, de lá retornando com o tema proposto e a defesa de suas tese. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E Adroaldo "El-rei" Barata retirou-se, permitindo que os demais cumprissem o que lhes havia sido determinado. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Precisa meia hora havia se passado, quando um a um retornou à sala, trazendo nas mãos envelopes lacrados para serem encaminhados a "El-rei". &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como sempre fizera, Adroaldo tocou a campainha que dava início aos trabalhos. Pegou o primeiro dos envelopes, leu para todos o nome de Antero Quintanilha, seu fiel escudeiro, fez uso da espátula de marfim com cabo de prata sobre a qual tanto dissertava, pois fora com ela que seu bisavô preservara a honra da família das maledicências de um desafeto a macular sua santa bisavó, que a bem da verdade histórica nem tão santa tinha sido, e, após abrir o envelope, passou os olhos na folha com o tema e... caiu fulminado por um ataque cardíaco. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O papel caiu-lhe das mãos para baixo da mesa e no corre-corre ninguém mais se deu conta do tema. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, o encarregado da limpeza recolheu a folha e surpreendeu-se com a leitura... &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E somente ele, o mais humilde dos funcionários, ficou sabendo o tema que matara Adroaldo Barata. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Somente ele e Antero Quintanilha, o "El-rei", como passou a ser chamado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div id="hotbar_promo"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-113179552719550681?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/113179552719550681/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=113179552719550681' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113179552719550681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113179552719550681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2005/11/o-tema.html' title='O TEMA'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQcOeExZ4I/AAAAAAAAABM/BRJoe4BUZxY/s72-c/museu06.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-113179530627237295</id><published>2005-11-12T03:30:00.000-08:00</published><updated>2007-02-27T04:12:00.458-08:00</updated><title type='text'>FLORIPES 2</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQf3eExZ7I/AAAAAAAAABs/U4OPWQXErHc/s1600-h/logo-copybride.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036185321133402034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQf3eExZ7I/AAAAAAAAABs/U4OPWQXErHc/s320/logo-copybride.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;tbody&gt;&lt;br /&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Com seu inconfundível jeito apressado, caminhava pelo calçadão, preocupada com mais um atraso e mais uma provável repreensão patronal. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chegava a ser cruel a forma como era tratada. Nada profissional, nada legal, nada convencional. Nada convencional... não precisamente. O que seria um tratamento convencional num mundo cheio de valores díspares, onde um pensa que é branco o amarelo que o outro mostra? Era assim dr. Ercílio. Suas regras, sempre mutante, eram normas de existência fugaz. Quando dizia é aquilo, já era outra coisa que queria dizer. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em exercício de verdadeiro equilibrismo, permanecia no emprego. O salário era o bastante para sua sobrevivência e já não se recordava de alguma coisa que pudesse dar-lhe alguma alegria, além das intermináveis horas de navegação virtual. Sair de casa já era um tento!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E naquele dia ia contando os buracos a serem ultrapassados no calçadão, maneira de se concentrar e abstrair, de antemão, da voz esganiçada do patrão, que sempre dizia em ironia: "O atraso... arranjou um namorado?". Ele sabia que isso a fazia afundar-se no mais central do mundo, no miolo do planeta, destituída de toda sua identidade. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não adiantaria exigir respeito. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A única forma era a demissão. Isso ela não queria. Não suportaria ficar recortando pedaços de jornal, aqueles ridículos quadradinhos e retângulos, com exigência de boa aparência, domínio de línguas, perfeita utilização de um computador. Quantos Ercílios se esconderiam atrás desses recortes? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No fundo, não tinha clareza se permanecia no emprego para redimir-se das mágoas que carregava por um casamento que há muito havia terminado. E se na sua busca por um novo emprego, justo na mesa do diretor de recursos humanos, se deparasse com ele? Não suportaria tal enfrentamento, não estava preparada, ela carregava a culpa pela separação. Sim, ele ameaçara mostrar ao dr. Ercílio as cópias de mensagens trocadas por ela, em suas intermináveis noites de casada, sem amor, sem prazer, com quantos quisessem uma aventura virtual. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em meio ao turbilhão de buracos e pensamentos sentiu uma pontada na cabeça, forte, que como um raio a fez tontear e antes que chegasse ao chão, sem sentidos, pôde ver a pasta de onde saltou um livro que se abriu ao seu lado. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sensação era de torpor ainda, quando percebeu um círculo de pessoas ao seu redor e junto de si o livro. Alguém o pusera ali, imaginando que fosse seu. Instintivamente o colocou na bolsa e, tonta ainda, afastou-se do burburinho, em direção à mesmice de todos os dias: "O atraso... arranjou um namorado?", do dr. Ercílio. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O que mais lhe doía é que aquele homem sabia das circunstâncias de seu divórcio, da solidão a que se impôs, amenizada, apenas, nas salas de bate-papo da Internet, até que o sono a derrubasse em cima do teclado do computador.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Deixara o tempo correr. Não tinha forças para alterar essa vida insípida que havia tomado conta de seus dias. Latejava-lhe a cabeça, latejava-lhe a vontade de mudanças, apenas. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"O atraso... arranjou um namorado?". À pergunta enfadonha e chata do dr. Ercílio, respondeu mecanicamente: "Sim, arranjei um namorado". Se soubesse que teria de apagar definitivamente a luz da telinha do micro, fazendo macro os amores reais e não mais crer nos prometidos por nuvens passageiras do mundo virtual! &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E, assim, perdida em seus pensamentos, lembrou-se do livro que chegara pela marca na cabeça, muito mais externa que interna. Pegou-o na bolsa e folheando-o se deparou com um capítulo chamativo: Sexo na Net, amor à parte. Ah... mais uma vez dicas de comportamentos impregnados pela linguagem binária do micro analógico. Como em leitura dinâmica, varreu rapidamente as dicas do livro. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sexo era do que mais precisava. E cachola a pulsar, circulação acelerada pelo galo e pelo livro, sentiu vontade da noite que era preenchida pelo barulho do teclar e por carícias no mouse. Na monotonia do trabalho que lhe pareceu sem fim, decidiu-se. Aquela noite seria diferente. A fatalidade que a adormecera no rápido desmaio iria ajudá-la a despertar, fazendo aflorar seus instintos para relações reais que já começavam a ser esquecidas. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ligou o micro, colocou sua senha, floripes1, entrou na sala com seu nickname Floripes2 e aguardou ser abordada. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oriovaldo para Floripes 2: Oi... Quer tc? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes2 para Oriovaldo: Podemos. De onde tc? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oriovaldo para Floripes2: Só digo se vc responder... vc tá de calcinha? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes2 para Oriovaldo: Sim. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oriovaldo para Floripes2: Conta, conta como ela é. Tira, tira, tira ela! &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes 2 para Oriovaldo: De algodão macia, verde limão e elástico frouxo. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oriovaldo para Floripes2: Vc tá gozando da minha cara! &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes2 para Oriovaldo: Tô não. Tô falando sério. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oriovaldo para Floripes2: Quer fazer sexo com um homem gostoso, que cobrirá vc todinha de beijos, começando pelos pés, levando vc ao céu? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes2 para Oriovaldo: Ah... legal. Onde? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes2 para Oriovaldo: Vc caiu? Travou? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oriovaldo para Floripes2: Oi... amor. Tava aqui, olhando vc. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes2 para Oriovaldo: Então... onde? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oriovaldo para Floripes2: Aqui, bobinha... minha amoreca. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes2 para Oriovaldo: Vc quer? Eu quero. Mas aqui não, meu amoreco. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes2 para Oriovaldo: ... &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes 2 para Oriovaldo: ... &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oriovaldo para Floripes 2: Diga amor. Vc não respondeu... &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes2 para Oriovaldo: Já, sim. Conhece um bom motel? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes 2 para Oriovaldo: ... &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Floripes2 para Oriovaldo: ... &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oriovaldo: sai da sala. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Era sempre assim. Há meses vinha experimentando essa sensação de inacabado. Brincadeira de gato e rato. Esse Oriovaldo sempre a abordava, sempre dessa forma, caindo sempre, sempre se esquivando. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas os ensinamentos do livro diziam que não sofresse com as quedas e saídas repentinas. O ambicionado sexo chegaria e quem sabe? com ele o amor. E lhe pareceu, algumas mensagens adiante, que havia chegado: &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Mensageiro do amor/1.78m/72k. Já nas primeiras frases, soube ser moreno, engenheiro, master pela Universidade de Filadélfia, separado. Era tudo quanto precisava naquela noite. Não que se revelasse um Apolo entre tantos de mais de metro e noventa, freqüentadores de academia. Mas já nos primeiros escritos, a elegância no uso das palavras. Não havia dúvidas, era um homem de "bom tom", como sempre sua mãe dizia, na seleção dos futuros genros. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De parte a parte o mistério, até que já clareando o dia, a sugestão do encontro. Acertado o local, a roupa que os identificaria. Lembrou-se do vestido de decote bem cavado e que tão bem lhe marcava as formas, pois estas, inegavelmente, ainda as tinha bonitas. A noite insone, de certa forma, ajudou-a. Deu-lhe a pontualidade e um ar permanente de felicidade. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que nem foi notado pelo dr. Ercílio pois, tão logo sua pontual chegada, escutou mais uma vez: "O atraso... arranjou um namorado?" Dessa vez, não ligou. Não desceu ao fundo, não escorregou ao miolo da terra. Simplesmente ignorou-o. Mas a noite que se ia próxima tirou-lhe a atenção do serviço pela ansiedade e expectativa do encontro. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Retornou a casa, banhou-se, buscou entre os poucos perfumes o que lhe pareceu o de maior sensualidade, vestiu a lingerie ainda guardada na embalagem. Uma lingerie que prometera a si mesma que seria usada para o homem que mais a extasiasse no mundo virtual para que fosse retirada no real. Só faltava o vestido. Os dois quilos a mais arrochara-lhe, mas aumentara a sensualidade, com os seios a descobrirem-se mais um pouco no decote. Floripes2 estava pronta para o Mensageiro do amor. Por cautela, pegou o livro. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O local escolhido tinha o clima perfeito para o encontro. Aconchegante, o som de um piano suave com "Strangers in the night" inundando de romance o ambiente. Os primeiros passos incertos pela penumbra, aproximou-se do homem solitário de costas para a entrada, tocando seu ombro quase como um afago. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Floripes? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Dr. Ercílio!!!!!!!! &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No espanto, ficou o livro sobre o chão. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;(Co-autoria de Adriana Gragnani)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div id="hotbar_promo"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-113179530627237295?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/113179530627237295/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=113179530627237295' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113179530627237295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113179530627237295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2005/11/floripes-2.html' title='FLORIPES 2'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQf3eExZ7I/AAAAAAAAABs/U4OPWQXErHc/s72-c/logo-copybride.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-113179455389205438</id><published>2005-11-12T03:19:00.000-08:00</published><updated>2007-02-27T03:22:10.432-08:00</updated><title type='text'>MAESTRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQS2OExZ0I/AAAAAAAAAAc/ud2GQWpKNog/s1600-h/bdb_realejo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036171006007404354" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQS2OExZ0I/AAAAAAAAAAc/ud2GQWpKNog/s320/bdb_realejo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;p align="justify"&gt;Maestro enchia as ruas de sons e aquilo me parecia mágico. Eu o seguia maravilhado e, a cada parada, Maestro era cercado pelas mulheres em maioria. O que as fazia acreditar no que liam era a esperança de que sonhos se realizassem.&lt;br /&gt;Maestro não usava casaca, mas uma camiseta abotoada, sem gola, de mangas curtas nos invernos e verões. Nem mesmo a lama que escorria entre seus pés em dias de enxurrada tirava-lhe a dignidade. Seus sons despertavam manhãs floridas pelos flamboyants na primavera, como os pássaros dos quintais da minha infância.&lt;br /&gt;A caixa a um ombro, o papagaio no outro: trindade – Maestro, papagaio e realejo. Não conhecera o pai, não tivera filho, ninguém lhe sabia do espírito. Em terra de santices e santidades era agnóstico e não sabia. Cria no que via. E bastava-lhe o pão de cada dia e os regalos de quireras ou luxos de sementes de girassol para Valdemar, papagaio chegado de Mato Grosso depois da viagem feita pelo cunhado, em tempos de aboiar.&lt;br /&gt;– Tire a sorte da moça bonita, Valdemar.&lt;br /&gt;O companheiro entrava na caixa, sondava com o bico. Não mais que dez segundos e tremia Efigênia, suspirava Antera, afoitava-se Belinha.&lt;br /&gt;Efigênia derramava-se pelos olhos – ali não buscava apenas sonhos, mas o olhar vindo em mão-dupla; Antera miudava na paciência – não deixava um dia de acercar-se e aguardar que lhe chegasse a vez.&lt;br /&gt;E, enquanto os olhos das duas grudavam nos de Maestro, Belinha seguia o bico de Valdemar, cantarolando a música que vinha da caixa. Ritual findo, quedavam-se desassuntadas as primeiras, enquanto Belinha fincava-se nos saltos a barulhar praça afora ou praça adentro:&lt;br /&gt;– Papagaio de uma figa, “Maestro” de meia tigela, tirar a sorte no realejo é só pra quem é besta... Ainda faço canja desse papagaio...&lt;br /&gt;Mas vestia-se de roxo, carmim, cor que lá fosse determinada pelos ditos do bilhete, que lhe prometia a sorte vinda no bico de Valdemar, mas que conferida no poste nunca chegava. Jogava no touro e dava veado. Sorte contradita. O bicho não dava, o amor não chegava, só os vestidos se multicoloriam na gastança dos tecidos adquiridos no armarinho de seu Murad. Tinha-os de todas as cores e era de fato no que se apegava para ver se a sua vida mudava.&lt;br /&gt;Numa quarta-feira de cinzas qualquer, o trem descarregou na pequena São José do Limoeiro um moço bonito de assanhar moças de prendas. Nas domingueiras, risinhos em histeria a cada gingado do moço e deitação de falas no confessionário. Pecar mesmo não pecavam, não por falta de vontade, mas pela tentação de quem com elas pecasse. Mas ali estava agora Gumercindo, fruto para ser colhido. E haja bilhete da sorte para ver a quem ele caberia. Fiéis a Maestro, Efigênia e Antera ainda assim não deixavam de pensar em Gumercindo, coisa pouca, é bem verdade.&lt;br /&gt;– Capricha na sorte das moças bonitas, Valdemar.Maestro acompanhava o movimento do papagaio, o desdobrar do papelzinho e sondava os olhos das consulentes. “Um forasteiro fará sua felicidade”, “Pense no peregrino”, “A chama do chamego é do recém-chegado”, aliteravam os bilhetes. Toda noite, debruçado sobre a mesa, Maestro caprichava nas sortes. Só faltava escrever: “Grude no Gumercindo!”. Acontecia-lhe de já incomodarem os fricotes da dupla, ele, que só tinha a batuta em riste para a decidida Honorina, que diziam dormir de borzeguins.Saíam as duas a trocar sorrisinhos e ele via de longe o chapéu de Gumercindo desabando-se em cumprimentos. Sorria para Valdemar, esperançoso. A ave queria retribuir-lhe o sorriso, mas eis que chegava a vez de Belinha.&lt;br /&gt;– Valdemar, se afoite e veja se traz sorte para D. Belinha.No balançar da cabeça de Valdemar e lá vinha o bilhete, recomendando jacaré no bicho, azul nas sedas e sorrisos tantos quanto possíveis a quem tinha como meta. Já agora, Gumercindo ao largo, esmerava-se na escolha da lingerie. Pois que se fosse por vontade divina, quem sabe...&lt;br /&gt;E de bico em boca e de boca em bico, assim se perpetuaria esta história como tantas outras em tantos São Josés dos Limoeiros. Mas como bem se diz que o bater da asa de uma borboleta altera o rumo de todas as coisas, em manhã de grande ventania Belinha contrariou os escritos de Valdemar e jogou na borboleta todo o dinheiro que tinha na caixinha. Ato contínuo, trancou-se em casa, porta e janelas cerradas. A notícia correu a cidade – Belinha ensandecia! Os vizinhos relatavam barulhos estranhos de rasgar de sedas e resmungos de longas ladainhas.&lt;br /&gt;No final da tarde, deu no poste – borboleta na cabeça!Nunca se ouviu tanto troc-troc de saltos pela praça. Maestro elevou o som do realejo, ‘seu’ Murad alisou as peças de seda e os ditos de merinó, Gumercindo emparelhou o passo com os de Belinha. Ao largo de tudo, braços dados, Efigênia e Antera despejavam olhares mais que suspeitos em direção a Valdemar.Naquela noite Maestro acordou com Valdemar em seu travesseiro, a engrolar falações: pedaços de cantigas, parlendas, pragas. E do bico lhe escorria uma baba fina, leitosa, que Maestro tentava estancar, suportando as bicadas.&lt;br /&gt;– Psitacose – foi o veredito do boticário. Prenda o bicho na gaiola e deixe no fundo do quintal, lave a casa de alto a baixo com formol. E reze.&lt;br /&gt;Maestro estranhou o ar avexado – nem atinava fosse o boticário tão apegado ao bichinho – mas a única recomendação que seguiu foi a da reza. Dois dias depois Valdemar foi enterrado no quintal em uma caixa de papelão, tendo ao lado o realejo. Honorina logrou retirar, à última hora, a batuta que também se ia junto ao féretro e fincou-se ao lado do travesseiro de Maestro, que engrolava falações: pedaços de cantigas, parlendas, pragas.&lt;br /&gt;Dois dias depois, foi coisa triste de se ver. A bandinha do coreto nas tardes alegres de São José do Limoeiro gemia seus sons na batida do bumbo ritmando a Marcha Fúnebre. De negro, Honorina logo atrás mostrava a palidez só encontrada em rosto de viúvas. Seguiam-se lado a lado Antera e Efigênia em rezas altas, Murad sempre solícito consolava Belinha, sob os olhares de Gumercindo. Depois, uma multidão de 50 contritos limoenses, que mais a cidade não comportava.&lt;br /&gt;Havia sobressalto na fisionomia das mulheres e dos homens, lenços desciam dos olhos às bocas, algumas já em densa salivação. A pequena rua que levava ao cemitério alongava-se, interminável e os goiveiros murchavam à passagem do cortejo. Sem braços para sustentar o caixão os homens revezavam-se a cada instante, esbaforidos, afrouxando colarinhos enquanto as mulheres limpavam-lhes os magotes de suor nos lenços amarfanhados.&lt;br /&gt;Uma nuvem alaranjada cobria todo o campo-santo quando o grupo passou sob os chorões que ladeavam o portão. Em farrapos, os homens cederam as alças do caixão às mulheres, que esquecidas das rezas engrolavam falações: pedaços de cantigas, parlendas, pragas. Só Honorina seguia ereta, pálida e muda, até que Tonho do Trombone, numa soprada mais forte, desafinou e estrebuchou ao lado da cova aberta. Então ela riu, colheu os cabelos com cuidado por entre a súbita ventania, enrolou um coque e prendeu-o com a batuta de Maestro.&lt;br /&gt;Hoje, São José do Limoeiro é uma cidadezinha abandonada. De vivo, só os flamboyants floridos na primavera e o canto da passarinhada das manhãs da minha infância.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div id="hotbar_promo" align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-113179455389205438?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/113179455389205438/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=113179455389205438' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113179455389205438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113179455389205438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2005/11/maestro.html' title='MAESTRO'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQS2OExZ0I/AAAAAAAAAAc/ud2GQWpKNog/s72-c/bdb_realejo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-113179431571655004</id><published>2005-11-12T03:15:00.000-08:00</published><updated>2007-02-27T04:06:57.002-08:00</updated><title type='text'>DEZ PASSOS PARA A FELICIDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQeqOExZ5I/AAAAAAAAABY/FzCEUX4cXxE/s1600-h/Rosa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036183993988507538" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQeqOExZ5I/AAAAAAAAABY/FzCEUX4cXxE/s320/Rosa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;tbody&gt;&lt;br /&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;No primeiro momento hesitou. Depois respirou fundo e procurou acalmar-se ouvindo as batidas do próprio coração enquanto procurava seguir as instruções do livro de auto-ajuda, recém- comprado, o qual dizia que sua mente poderia organizar suas emoções. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ótimo! Já adquiria, de novo, a segurança para fazer o que precisava ser feito. Quanto mais adiasse, mais distante ficaria de seus objetivos. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Abriu a pasta, uma bela imitação de couro, preta, brilhante, em alto-relevo lembrando pele de jacaré, e foi direto ao compartimento que reservara para o livro. Na capa, em letras vermelhas, o título que o seduzira: Poder, amor e Dinheiro – 10 passos para a felicidade! Na contracapa a foto do autor, esbanjando felicidade, tendo ao fundo uma bela mansão, rodeada por um jardim gramado. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Releu o primeiro passo: a felicidade está em suas mãos. Cabe a você ir buscá-la: os seres humanos nasceram para serem felizes, embora as pessoas, manipuladas por teorias religiosas e sociais tendam à infelicidade, ao comodismo. Uma criança ao nascer exige dos adultos os cuidados necessários para que sobreviva: quando sente fome, chora e é saciada. Quando está com as fraldas sujas, chora e as fraldas são trocadas. Ela não sente medo de ser rejeitada ao chorar, porque instintivamente sabe que suas necessidades são prioridades que devem ser atendidas, que seus pais ou os responsáveis por ela necessitam que sobreviva para a garantia da preservação da espécie. Mas à medida em que cresce, muitos medos e culpas lhe são ministrados juntamente com sua alimentação. Ela escuta que a mamãe vai ficar triste se ela se recusar a comer um vegetal que detesta, que é feio chorar, enfim, será reprimida para se adequar à sociedade. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então, continua o autor, este é o primeiro passo para ser feliz: manifestar sua vontade. Ignorar o medo da rejeição introjetado em sua mente durante a infância, enfrentar o desconforto do olhar desaprovador das pessoas que o rodeiam e exigir que sua vontade seja satisfeita. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez respirou fundo, guardou o livro na pasta e com as palavras do escritor ainda ressoando em seu cérebro, decididamente entrou no elevador e apertou o botão número 12. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passos firmes, sentia-se um exército diante do que iria encontrar. Descobrira-se um novo homem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transpôs a ante-sala, sem nem mesmo observar o olhar espantado da secretária por não se anunciar. Nunca fizera isso antes, nos mais de trinta anos em que servira a empresa, alguns dos quais festejados como funcionário-padrão, reconhecido exemplo de lealdade e honestidade. Diante dos seus olhos a placa indicativa de que dali para frente era o que diziam ser o "ninho das águias", recinto privado da diretoria, em que grandes decisões eram tomadas pela palavra única de um homem de pequena estatura, calvo, olhos azuis e barbicha rala. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ali, na sala forrada de mogno, a grande mesa de uma cabeceira só, já que ninguém até então ousara sentar-se na outra extremidade para enfrentar, olho no olho, o "Sr. Presidente", como era tratado por todos, diretores e funcionários, o senhor do império em que se tornara o pequeno negócio surgido de um empório numa rua do subúrbio. Fora lá que começara como servente, quase um menino, a carreira que agora o fazia entrar naquela sala, um sonho acalentado pelos milhares de empregados da poderosa holding. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A sala vazia dava mais imponência ainda à escrivaninha inglesa de absurdas proporções por trás da qual a figura do "Sr. Presidente" lhe pareceu insignificante. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Sente-se. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O tom amistoso daquele homem sempre o emocionara. Fora assim durante todos aqueles anos em que sempre era solicitado para as tarefas mais difíceis, muitas das quais lhe exigiam noites insones. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No turbilhão de seus pensamentos, os ensinamentos do livro que trazia na pasta de que este é o primeiro passo para ser feliz: manifestar sua vontade. Ignorar o medo da rejeição, procurar, pela introjeção em sua mente durante a infância, enfrentar o desconforto do olhar de desaprovação das pessoas que o rodeiam e exigir que sua vontade seja satisfeita. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Percebeu que havia um pouco de suor na testa e enxugou-o com o lenço de fina cambraia que sempre fazia questão que vissem quando da tomada de grandes decisões. Havia importância, sim, naquele pequeno lenço. Sempre invejara, em sua trajetória, lenços, fossem eles em bolsos da lapela ou em aparições mágicas, alvos e perfumados, saídos de bolsos masculinos ou de bolsas femininas. Nunca encontrara explicação para o significado do lenço como poder de sedução. Mas enfim... &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E foi com o lenço apertado nas mãos que deu início às suas reivindicações que lhe pareciam todas justas. Muitas delas em cobranças intermináveis da mulher e dos filhos. Férias nunca gozadas, gratificações insignificantes, aumentos obtidos por dissídios coletivos, enfim um arrazoado de injustiças que o haviam transformado aos olhos da família numa servidão humana. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já ia pelo meio quando a voz quase maternal daquele homem de meigos olhos azuis soou como um trovão na imensa sala. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só então voltou a lembrar-se das fraldas sujas de que falara o livro. Levou o lenço aos olhos num último gesto e jogou-se pela janela, com pasta e livro. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Poder, Amor e Dinheiro – 10 passos para a felicidade!, a exata distância da poltrona à janela...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div id="hotbar_promo"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;(Co-autora Henriette Effenberger)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-113179431571655004?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/113179431571655004/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=113179431571655004' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113179431571655004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113179431571655004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2005/11/dez-passos-para-felicidade.html' title='DEZ PASSOS PARA A FELICIDADE'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQeqOExZ5I/AAAAAAAAABY/FzCEUX4cXxE/s72-c/Rosa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-113169434594146858</id><published>2005-11-10T23:19:00.000-08:00</published><updated>2007-02-27T04:27:07.169-08:00</updated><title type='text'>A PRIMEIRA NOITE DE UM VIRTUAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQX3OExZ2I/AAAAAAAAAA0/XJpU9nzT5UA/s1600-h/238801_dinner_with_candles_in_the_gar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036176520745412450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQX3OExZ2I/AAAAAAAAAA0/XJpU9nzT5UA/s320/238801_dinner_with_candles_in_the_gar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Oi... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Vamos teclar... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Iniciava-se ali uma experiência inesquecível. Pelas coordenadas que iam sendo dadas, fui construindo letra por letra o desenho mágico da mulher loura virtual, belos olhos azuis, boca sensual emoldurando dentes perfeitos. O corpo... Ah! O corpo... Pelos números fornecidos, não tinha como me enganar: uma sarada freqüentadora das academias: 52 quilos distribuídos em 1,70 m. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As emoções se acumulavam nos fraseados de parte a parte, até que, inseguro por achar que poderia estar sendo invasivo, sugeri um jantar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recatada, aceitou, cercando-se de alguns cuidados. Natural que assim fosse. Afinal, tão bela mulher iria encontrar-se com um homem sobre o qual apenas sabia ser um virtual gentil de razoáveis escritos. Muita exposição colocaria em risco suas reais qualidades. Assim, creio, pensava... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sugeri um restaurante de cuja janela tivesse a visão do colar de lâmpadas da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.Sugestão aceita, parti para os preparativos, com reserva garantida de mesa à, luz de velas, "Lanson" no gelo e o esmero na recomendação ao maître: que o Belluga se fizesse acompanhar de delicados e honestos blinis para que tudo transcorresse de forma a tornar a noite perfeita. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A cada carro que chegava, meus batimentos cardíacos mais se aceleravam. E temeroso que o calor neutralizasse o "Silences" borrifado no blazer que disfarçava os malditos quilos a mais, solicitei que aumentassem um pouquinho mais o ar-condicionado, mesmo diante dos olhares furibundos da senhora de uma mesa próxima já tiritando de frio naquela noite de junho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora sim, era ela. Os louros e longos cabelos contrastavam com a negritude do interior do carro importado. Em passos firmes caminhou na direção da porta, fazendo-me levantar com um largo sorriso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não, não podia ser... Mas era. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todos os olhares convergiram para a figura que acabara de chegar. Uma onda de calor deve ter envolvido a vizinha antes tiritante pela alegria na minha derrota. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diante do ET que chegara, alguns devem ter imaginado um OVNI na porta do restaurante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bem, do virtual para o real, o salto tinha sido olímpico. Dos 52 quilos, era certo que 42 estavam na barriga e no busto. Os olhos azuis haviam marcado um encontro naquele rosto, mas se desencontraram, indo um para cada direção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pedi a Deus que me enfartasse. E que fosse fulminante, pois o maître se aproximava para espocar o champagne, o que chamaria ainda mais a atenção dos clientes distantes. Havia súplica no meu olhar para que não o fizesse. Tarde demais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diante do inevitável, deixei-me afogar num copo duplo de uísque numa talagada só, antes do brinde. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Homem educado pelos ensinamentos do meu pai de que o bom jogador se revela na derrota, deixei que a noite corresse, já que eu mesmo não tinha mais condições de fazê-lo. Se não pela educação que recebera, mas pelo estado de semi-embriaguês em que já me encontrava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a hiena ali na minha frente a mostrar os dentes inegavelmente perfeitos que me induziam a imaginar que estivessem presos com "Corega". Acrescente-se um mastigar interminável. Diria secular. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Impor-me maior sofrimento do que já vinha tendo só se com a intenção da absolvição plenária das penas do purgatório que tanto fiz por merecer. Pedi a conta. Entre salamaleques, o maître esticou-me o papel: 698 reais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E foi quando me bateu no ouvido tal qual um "telefone" do DOI-CODI a sugestão: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Que tal esticarmos... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entre os dentes, fugiu-me a frase: "Esticar só se for no asfalto...”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Traíra-me o inconsciente e já me via cercado por passantes curiosos, cobertos por plástico preto, iluminado pelas velas trazidas de mesa do restaurante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acredito que ela não tenha escutado tal indelicadeza, mas a idéia avançava na medida exata em que automóveis e ônibus passavam em velocidade. Se Deus me poupara do enfarte, quem sabe?... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A noite fora lenta e longa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Reuni o resto das minhas forças nos dois beijinhos de despedidas. Nesse momento pensei em minha mãe a olhar-me de uma das galáxias que por certo habita, orgulhosa dos ensinamentos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dois espirros coroaram a noite. O ar-condicionado ainda por cima me gripara... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-113169434594146858?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/113169434594146858/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=113169434594146858' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113169434594146858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113169434594146858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2005/11/primeira-noite-de-um-virtual.html' title='A PRIMEIRA NOITE DE UM VIRTUAL'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQX3OExZ2I/AAAAAAAAAA0/XJpU9nzT5UA/s72-c/238801_dinner_with_candles_in_the_gar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-113169356680977089</id><published>2005-11-10T23:18:00.000-08:00</published><updated>2007-02-27T04:22:45.284-08:00</updated><title type='text'>CONFLITOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQifOExZ9I/AAAAAAAAACA/HtNXodcYViU/s1600-h/0000000800.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036188203056457682" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQifOExZ9I/AAAAAAAAACA/HtNXodcYViU/s320/0000000800.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;tbody&gt;&lt;br /&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sim, pode um dia voltar do coma, esclarece compassivo o médico. Há casos e mais casos... São boas as possibilidades. Mas, certeza? Nenhuma... E voltando à consciência, pode perder a memória elétrica, e a química, registradoras de fatos recentes e de pouca importância. Mas a memória protéica, guardadora de tudo que é importante no transcorrer da vida, será preservada. Trate-o bem, o corpo tem imprevistas e surpreendentes reações. Está bem, fisicamente, as fraturas se consolidaram. Louvo sua decisão de levá-lo para casa. E, precisando, ligue... Deixe-me sempre a par do estado dele... &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lembra bem as palavras do médico... E do fatídico dia em que o acusara de beber demais e engraçar-se com as amigas... Acusação feita na hora mais imprópria, quando, já embriagado, fora para o carro, saindo acelerado... E a tragédia, vizinhos socorrendo-o das ferragens retorcidas do carro imprudentemente dirigido, ele próprio destroçado, olhos vidrados, insensível a qualquer manifestação de dor. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Começavam os dias cinzentos... Que se prolongariam por meses, sempre no empenho de devolvê-lo à vida, torná-lo útil a si mesmo. Se não plenamente, que fosse de tal modo que a mente voltasse ao comando daquele corpo, agora massa inerte. Mas não no leito de um hospital. Cuidaria do marido, ela mesma... E pediu aos enfermeiros que o colocassem na mesma cama onde tanto se haviam amado. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não fora fácil a decisão de levá-lo para casa. Poderia o carinho compensar as eventuais falhas da terapia? Mas de que outro modo se redimir do mal que lhe causara, levando-o ao estado em que se encontra? A consciência de que perfeição inexiste, de que o lado mulherengo do marido quase que se anulava diante do brilho profissional, do amor e proteção à família, da honestidade no trato comercial, de tantas outras boas qualidades que não soubera ver, só viera ao longo dos dias depois do acidente. Fora cega, obcecada pelo ciúme doentio. Fora ingênua e desavisada ao supor a natureza masculina similar à feminina... E o transcorrer dos anos, o suceder de litros de soro consumidos, fisioterapeutas e enfermeiros tornados rotineiros, especialistas consultados... E sua própria existência se desvanecendo... Qual o preço da redenção? O abandono de seus próprios projetos de vida? Bem verdade que voltara ao trabalho, algumas horas ao dia, terapia para si mesma, mas sempre atenta a uma má notícia... Nas raras saídas com as amigas, a sombra do marido sempre projetada sobre todos, matando qualquer manifestação de alegria... E os sentidos pedindo o que já não pode dar... Geme abraçada a travesseiros amantes... Nos sonhos, desejos aflorando... E a desesperada busca de uma expressão facial, um movimento ainda que espontâneo dos membros. Mas nada. Nada que demonstrasse uma melhora no seu estado mental. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E teria sido mesmo uma boa medida levá-lo para casa? Ouve as amigas dizerem ser comum, diante de um quadro julgado irreversível, o aconselhamento dos médicos para que levem o doente, respondendo às pressões dos planos de saúde. De alguma forma, fora convencida sem que se desse conta? &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sente que a vida lhe escapa pelos cabelos que embranquecem rapidamente, pelas rugas no rosto ainda jovem... Não lhe sobra tempo nem disposição para idas a cabeleireiros, academia de ginástica, às compras... Um erro ao assumir as obrigações onerosas e desgastantes de um tratamento que lhe parece agora infrutífero. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E o novo neurologista, mais uma avaliação, conhece novas e diferentes terapias... Que lhe transmite esperanças. Mas impossível precisar... Poderá permanecer por muito ou pouco tempo no seu sono... Ou morrer a qualquer momento... Mas poderia, sim, repentinamente, acordar, respondendo ao tratamento. Melhor que não mais se culpe, leve-o a passear, a manter contato com o mundo lá fora, mas atenta aos riscos, a um pronto atendimento nas emergências... Voltará diariamente, acompanhará passo a passo à terapia, tem interesse humano e científico. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E sucedem-se as visitas, já não mais voltadas exclusivamente ao paciente, pois há mais, muito mais... Estão a cada dia mais próximos, descobrem-se afins, querem esticar o tempo das visitas, tempo que se encolhe quando juntos, longo por demais quando se aguardam, sentimentos em crescente sintonia... Há o não confessado afeto tornado plataforma sobre a qual se movem... E ansiosos se esperam, se fitam silenciosos, se querem bem, se desejam e não se têm... O clamor dos corpos versus a recusa da consciência... Pouco a pouco, os momentos cinzentos da tristeza vão se misturando ao dos culpados da alegria... &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não, ela não quer que morra, do mais profundo da consciência, não quer. Quer que acorde, que se recupere, que volte a ser o homem sedutor, exagerando nos drinques e nas gentilezas com as mulheres. Sabe que não voltará a amá-lo, contudo não deve perder o senso da responsabilidade e da decência. Mas poderá o querer da razão vencer o fogo da paixão? &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Balbucios chegam do quarto, encontra-o acordado... Não, não está sonhando... Todo o seu empenho agora são conflitos. Trouxera-o à vida... Virão os primeiros passos... As primeiras palavras. Mais precisará dela, já agora dividida em duas recuperações, a dele e a dela própria, redescoberta no amor ao homem que a ajudará por tantos meses a repor a vida naquele corpo até minutos antes inerte que acabara de chegar. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Terá um logo tratamento, vai precisar de muita dedicação, mas é certo que voltará à vida normal. Assim as palavras do especialista, do amante, do homem que trouxe luz aos seus dias sombrios... E que se retira silencioso, entra no carro, parte e, mergulhado na tristeza da separação, não percebe que entra na contramão... E a tragédia, motoristas arrancando-o das ferragens retorcidas do carro imprudentemente dirigido, ele próprio destroçado, olhos vidrados, insensíveis a qualquer manifestação de dor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, pode um dia voltar do coma, esclarece compassivo o médico. Há casos e mais casos... São boas as possibilidades. Mas, certeza? Nenhuma... E voltando à consciência, pode perder a memória elétrica, e a química, registradoras de fatos recentes e de pouca importância. Mas a memória protéica, guardadora de tudo que é importante no transcorrer da vida, será preservada...&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;(Co-autora Maria Ilsen)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div id="hotbar_promo" align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-113169356680977089?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/113169356680977089/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=113169356680977089' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113169356680977089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113169356680977089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2005/11/conflitos.html' title='CONFLITOS'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQifOExZ9I/AAAAAAAAACA/HtNXodcYViU/s72-c/0000000800.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18829290.post-113161859958898117</id><published>2005-11-10T02:28:00.000-08:00</published><updated>2007-02-27T04:33:54.002-08:00</updated><title type='text'>A DESPEDIDA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQkvuExZ-I/AAAAAAAAACM/41JTOIgus4w/s1600-h/banheiros.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036190685547554786" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQkvuExZ-I/AAAAAAAAACM/41JTOIgus4w/s320/banheiros.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Dirige-se à estante, o olhar perdido entre o amontoado de recordações e lá está a caixa, o ossuário de amores vividos e perdidos, fragmentos da vida que vê esvair-se a cada despedida. Sobre a mesa, ainda a última carta, escrita minutos antes. A incredulidade mistura-se às lágrimas, embaçando a própria vida...E a palavra adeus surgindo como abstração de si mesma, da conflituosa existência... Carta tão igual a tantas outras em esfarrapadas explicações e justificativas pelo amor que finda... E que a deixam assim, frustrada, sensação de derrota, de inutilidade... Tantos os homens que tinham estrado em sua vida e assim a deixam...Espalhados na solidão cinza do quarto, os objetos marcas das paixões...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Absorta, abre a caixa de lembranças...O que busca? Quem sabe arrancar das fotos o homem que a deixa agora, o homem definitivo, chegara a pensar, desde a noite em que, após tantos desenganos, chegara à solidão da mesa de um bar. Fora gentil na aproximação, romântico na aura de ligeiramente embriagado. E a noite se estendera pela madrugada e por outras noites e madrugadas. O amor preenchendo espaços, curando feridas, novamente a esperança, depois de tantos projetos frustrados no mundão da capital, a rota do seu destino, vinda da pequena e pobre cidade do interior. Tantas as quedas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guarda a caixa. E vai à janela atraída pelo piscar do anúncio. O mesmo que em tantas noites, em exóticas fantasias, dera o ritmo luminoso aos movimentos do amor, entre gemidos e sussurros, no cenário de sensações eróticas. Tantas as vezes em que, com risadas zombeteiras, escancaravam a janela e se propunham a fazer amor na provocação ao vizinho voyeur do prédio em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cozinha, o aroma do café denuncia que há apenas alguns minutos o perdera... Para sempre? Tinha amado aquele homem, sem cobranças, sem questionamentos, tudo tendo que ser e sendo, como o passar das estações, dos crepúsculos, das noites enluaradas... Juntos tinham estado integrados nos pensamentos, sentimentos e corpos. Uma exacerbação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se lembra do rosto bonito, da tristeza velada, do olhar intenso posto nela, o Universo desaparecendo, restando apenas eles, os dois, no momento mágico...Das mãos que lhe percorriam o corpo, querendo a um só tempo afagar e invadir. Atavicamente. Como o homem troglodita arrastara um dia a mulher desejada ao fundo da caverna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma luz que se apagara? Não, não seria um amor passageiro, ousara pensar, amor assim tem que ser para sempre, sem que a própria morte apague, porque amor além dos corpos, transcendendo, algo místico, o inexplicável. “Onde existe luz, existe sombra...”, dissera Sidharta Gautama, o Buda. Aos momentos da paixão iluminada, tinham-se seguido as sombras do abandono?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No toque da campainha, o sobressalto. Joga sobre o corpo o roupão. Para trás das orelhas, o cabelo desalinhado. Busca um sorriso no rosto de tantas marcas, abre a porta. Diante dela, o homem se explica, vem atender ao pedido aflito... Busca coordenar os pensamentos. Pedido aflito? Parece médico no branco das roupas, a maleta, o mesmo jeito do médico bondoso da infância, e que lhe curava as dores... Não entende. Mas sabe. Já o vira antes. Onde? Estranho que surja no momento de que tanto precisa. Sim, mora em frente. Atenderia ao chamado, passaria na volta, claro, aceita tomar um café, comer alguma coisa, sequer fizera o desjejum, na pressa do atendimento... Conversariam. Errara o número do apartamento de onde tinham chamado. É médico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E volta outras vezes, tantas, conta sobre as dificuldades com a ex-mulher, a separação traumática, filhos longe. A saudade da criançada...E sim, é o voyeur do apartamento em frente, e a vira, sozinha, parecendo angustiada...E inventara o chamado, um modo de ajudar... Tantos os retornos, muda para junto dela, tão grande o apartamento, reconstruiriam a vida sentimental dilacerada por tantas frustrações... E sob o ritmo do piscar das luzes do anúncio luminoso... Sob olhar do novo voyeur... O calendário se desdobra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Absorta, sequer abre a caixa de lembranças...O que busca ali? Quem sabe arrancar das fotos o homem que a deixa, o homem definitivo, chegara a pensar, desde a manhã em que, pretextando engano, a encontrara angustiada após mais uma despedida...Médico bondoso da alma ferida... A manhã se estendendo em outras manhãs...Em dias e noites... O amor preenchendo espaços, curando feridas, novamente a esperança...Até que...A carta...Que sequer lê...Vagarosa, engolindo as lágrimas que persistem, despe-se maquinalmente, abre a ducha, deixando que a água escorra pelo corpo e pela carta, como a se lavar das nódoas da vida. Purifica-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao toque da campainha, o sobressalto. Joga sobre o corpo o roupão. Para trás das orelhas, o cabelo desalinhado. E buscando um sorriso no rosto de tantas marcas, abre a porta. Diante dela, o homem se explica, é encanador, mora no apartamento em frente ao dela, vem atender ao chamado de urgência...&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Chamado, que chamado?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div id="hotbar_promo"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18829290-113161859958898117?l=tempoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/feeds/113161859958898117/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18829290&amp;postID=113161859958898117' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113161859958898117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18829290/posts/default/113161859958898117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tempoinfinito.blogspot.com/2005/11/despedida.html' title='A DESPEDIDA'/><author><name>FC-ANDRADE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07609929868117376780</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://photos1.blogger.com/hello/245/1775/400/Com%20barba.0.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_cglgCHO5W70/ReQkvuExZ-I/AAAAAAAAACM/41JTOIgus4w/s72-c/banheiros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
